Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
9

Conto de Dickens em versão 3D (COM VÍDEO)

Apesar de ser o rei da comédia física, dos trejeitos dignos de Jerry Lewis e companhia, e de ter mais pontos altos na bilheteira do que tiros ao lado, Jim Carrey nunca tinha trabalhado com os estúdios Disney. O encontro surge agora com ‘Um Conto de Natal’ e logo a quadruplicar.
18 de Novembro de 2009 às 23:13
Actor interpreta o protagonista e os fantasmas que o atormentam
Actor interpreta o protagonista e os fantasmas que o atormentam FOTO: d.r.

Além de viver o idoso protagonista, avarento no início e de bom coração no final, Carrey é também os três fantasmas que o assombram e lhe moldam a personalidade, ou não fosse esta mais uma versão da célebre obra de Charles Dickens.

No entanto, para quem vir a versão dobrada em português, pouco do talento de Carrey saltará à vista até porque este projecto foi concebido por Robert Zemeckis, cineasta que desde os anos 80 – com ‘Quem Tramou o Roger Rabbit’ – se tem esforçado por testar os limites da animação. A técnica é semelhante à de ‘Polar Express’ (2004) e ‘Beowulf’ (2007), com os actores a serem transpostos para uma animação cada vez mais fluída e que agora ganha espessura com a técnica 3D. O deslumbramento visual mantém-se, só que o resultado final é cada vez mais aprumo gráfico e videojogo e cada vez menos cinema.

Por isso, e embora se reconheçam os actores por detrás das personagens, em ‘O Conto de Natal’ Robert Zemeckis parece embrenhar-se de tal forma na técnica que esquece a componente dramática. Não que o relato de Mr. Scrooge e a sua demorada e turbulenta mutação e apreço pelo espírito natalício não estejam devidamente contados, apenas se centra em demasia no abstraccionismo espiritual e dá a leve sensação de que houve muito para esticar... em matéria de tempo.

‘Um Conto de Natal’ é verdadeiramente o filme de massas desta época – as bilheteiras norte-americanas responderam ao apelo, mas é pelo desafio pioneiro que a técnica 3D espoleta. Enquanto obra cinematográfica, comporta o defeito de ser demasiado grotesco para ser apreciado pelos mais jovens e é demasiado simplista e longo para ser desfrutado pelos adultos que levarão os filhos às salas.

Sobre o filme, Jim Carrey descreveu-o como “uma versão clássica de ‘Um Conto de Natal’ com muitos aspectos vocais e muitos aspectos físicos”. No entanto, pouco passa além de uma boa animação. Ou seja, esta dissipa o esforço dos actores e enaltece o mérito do píxel e dos computadores. Se a técnica 3D já fosse vulgar, este filme seria um exercício satisfatório, assim, como ainda é novidade, merece ser visto.

Ver comentários