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Correio da Manhã

Cultura
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ESCULTURAS INÉDITAS DE DALÍ EM LISBOA

Esculturas inéditas do mestre surrealista espanhol, pela primeira vez reunidas em todo o Mundo, vão poder ser apreciadas na exposição ‘Salvador Dalí em Lisboa’, a inaugurar hoje, às 18h00, no Palácio Porto Covo, edifício-sede da Lusitania – Companhia de Seguros, Rua do Prior, nº 6, à Lapa.
22 de Janeiro de 2004 às 00:00
A mostra, patente até 28 de Março, reúne cerca de 30 esculturas originais de Dalí (realizadas entre 1956 e 1983) e múltiplos, assim como diversas serigrafias dos anos 50 a 70, na sua grande maioria nunca antes apresentadas ao público.
‘Anjos Surrealistas e Cubist’, ‘Cristo Retorcido’, ‘S. João da Cruz’, ‘Vénus com Gavetas’, ‘Rinoceronte’, ‘Cabeça Otorrionológica de Vénus’, ‘Dulcinei’, ‘Gala Gradiva’, ‘Cabeça de Beethoven’ e ‘Minotauro’ são algumas das esculturas míticas e mundialmente famosas agora reunidas em Lisboa, da autoria daquele que é considerado o artista mais excêntrico e versátil do último século.
Presentes também, e em estreia mundial, o corpo de Gala modelado no ‘Nu a subir uma escada’ e a ‘Madona de Port Ligat’, entre outras esculturas.
OBRAS À VENDA
As peças expostas, e à venda, foram executadas por Dalí nos ‘ateliers’ Bonvicini, em Verona Itália), e Airaindor, em Chevreuse (França). Assinadas pelo artista, as obras são numeradas e acompanhadas por Certificados de Autenticidade passados por Robert Descharmes, testamenteiro e especialista internacional da obra do famoso artista junto das grandes casas leiloeiras Sotheby e Christie.
Estas peças, provenientes de três importantes colecções europeias - QuArt de Bruxelas, Fundação Gala Dalí de Moscovo e 2049 Obra Contemporânea de Bilbao – permitem (re)descobrir a faceta escultórica de Dalí.
A exposição é organizada no âmbito do centenário do nascimento do artista, e as visitas são orientadas, aceitando-se marcações.
PARANÓIA CRÍTICA
Criador, realizador, argumentista, publicitário, escritor e artista plástico, Salvador Dalí (1904--1989) é um dos maiores nomes do movimento surrealista e figura-chave da criação artística espanhola do século XX. Conhecido sobretudo pela pintura, onde exibia cenas oníricas executadas com extraordinária minúcia técnica, Dalí cultivou a ‘paranóia crítica’. Conforme o próprio explicou, a sua pintura é baseada “no contraste e na confusão, num método espontâneo de conhecimento irracional, fundamentado na objectivação crítica e sistemática de associações e interpretações delirantes”. Ao longo da sua obra, Dalí utiliza as suas imagens visionárias, as interpretações da memória e todas as deformações que lhe fornecem as desordens psicológicas. Dalí passou pelo cubismo, dadaísmo, surrealismo e realismo associado a elementos barrocos.
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