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Correio da Manhã

Cultura

Xutos & Pontapés: "Foi duro acabar este disco sem o Zé Pedro"

Banda edita um novo disco, ‘Duro’, que conta ainda com algumas gravações feitas por Zé Pedro.
Miguel Azevedo 25 de Janeiro de 2019 às 01:30
Xutos & Pontapés lançam o primeiro disco do grupo enquanto quarteto
Xutos & Pontapés
Xutos e Pontapés ainda com Zé Pedro em palco
Xutos & Pontapés lançam o primeiro disco do grupo enquanto quarteto
Xutos & Pontapés
Xutos e Pontapés ainda com Zé Pedro em palco
Xutos & Pontapés lançam o primeiro disco do grupo enquanto quarteto
Xutos & Pontapés
Xutos e Pontapés ainda com Zé Pedro em palco
No final do ano já anunciavam que o novo disco, ‘Duro’, seria um "legado de perseverança e persistência, de luto e de alegria, ansiedade e calma". O ano de 2018 foi o mais intenso das vossas vidas?
Tim - Não. O ano mais duro foi o de 2017. O ano de 2018 foi o que nos permitiu ultrapassar tudo e fazer o nosso luto com o apoio de toda a gente. O público foi sempre incrível.

- Em 2017, o Tim já falava da hipótese de este disco se chamar ‘Duro’, ainda Zé Pedro estava connosco. Ele chegou a aprovar o título?
- Sim, sim. Este projeto já vinha de trás, fazer primeiro um disco que se chamasse ‘Puro’ e que tivesse uma capa branca e depois um disco chamado ‘Duro’ que tivesse uma capa preta. Por isso é que nunca parámos de trabalhar e é por isso que este disco tem ainda muitos temas feitos pelo Zé. Fomos até onde deu para ir. Mas claro que sim, que depois fechar isto tudo sem ele e acabar este disco sem o Zé foi muito duro.

- Como é que foi esse processo no estúdio?
- Eh pá! Nós tivemos de ouvir as coisas que ele já tinha gravado e às vezes era como se ele estivesse ali ao lado. Mas acho que nos soubemos proteger bem uns aos outros. E foi assim que a coisa se fez.

- Que temas é que ele gravou?
- Gravou o princípio todo do disco e o fim. Gravou o ‘Duro’, o ‘Alepo’, o ‘Mar de Outono’ e o ‘Sementes do Impossível’.

- Já tinham uma rotina de quase 40 anos, entre todos. O que é que muda agora sem o Zé Pedro, até no alinhamento dos espetáculos? Há temas que magoa mais tocar do que outros?
- Isso há de certeza. O ‘N’Ámerica’, que é muito marcado pela guitarra do Zé, é um deles. Há outro tema, ‘Quando Eu Morrer’, que certamente iremos tirar dos alinhamentos. Não me apetece tocar mais isso. Mas esses são desafios que vamos ter pela frente.

- Há um tema neste disco, chamado ‘Fim do Mundo’, que fala de alguém que partiu e de uma estrela. É sobre Zé Pedro?
- É sobre o Zé, sobre qualquer pessoa que parta antes de tempo e sobre quem tem de lidar com a ausência.

- Os Xutos comemoram 40 anos. Zé Pedro costumava dizer que no início foi preciso muita teimosia e persistência para continuar. E hoje, ainda é preciso uma dose de teimosia para andar nesta vida?
- Como género e forma de expressão, acho que o rock tem sempre alguma dose de teimosia por base. Por outro lado, hoje, tem menos seguidores. Mas acho que o rock tem uma coisa muito boa: continua a ser feito por gente que gosta de se expressar livremente e tentar a sua sorte.
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