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Correio da Manhã

Cultura
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JAMES BOND ESTILO RENOVADO

Aos 40, James Bond mostra que ainda é dono e senhor de um estilo único que se consegue adaptar aos tempos.
10 de Janeiro de 2003 às 00:00
‘Morre Outro Dia’ é o 20.o filme das aventuras do famoso agente secreto 007, aquele que tem ordem para matar, e é também um dos mais elegantes. Não que seja o melhor, mas a realização cuidada de Lee Tamahori e a interpretação de Halle Berry – a nova Bond Girl – ajudam a criar um universo de ‘glamour’ que andava um pouco afastado das últimas fitas do agente. Há ainda Madonna a cantar o tema do filme e cenas rodadas em Cadiz (Espanha).

Bond (na quarta interpretação de Pierce Brosnan) volta a ser chamado para salvar o Mundo e corre por vários locais, desde Londres a Cuba. O alvo é destruir o inimigo (Toby Stephens), que se esconde atrás de instrumentos de alta tecnologia, na distante Islândia. Mas pelo caminho, surgem as beldades Jinx (Halle Berry) e Rosamund Pike (Miranda Frost), e o agente faz tudo para aliar o prazer à aventura.

Para os espectadores portugueses, o mais familiar deste Bond é, sem dúvida, a paisagem de Cuba que foi filmada na vizinha Espanha, mais propriamente em Cadiz. Locais emblemáticos da cidade, como a fortaleza, o antigo balneário, e a catedral foram enfeitados com letreiros e bandeiras cubanas para simular a terra de Fidel. Até o mercado local foi “transformado” em Fábrica de Tabaco.

Em ‘Morre Outro Dia’, o antiquado mundo de 007 - o tal que bebe Martinis e recorre a uma série de ‘gadgets’, mais ou menos irreais, para sua defesa - é reformulado de forma a adaptar-se à actualidade. Mas, para não desapontar os amantes do género original, o realizador e os argumentistas Neal Purvis e Robert Wade tiveram o cuidado de recuperar algumas cenas dos filmes mais emblemáticos. E os fiéis seguidores vão mesmo descobrir uma cena de “Gold-finger”, quando Jinx sente o perigo da arma laser.

A loucura pop dos anos 60 continua a ser uma constante no visual do filme. Nomeadamente na cena em que Jinx (Halle Berry) emerge das águas do mar de Cuba (que na realidade é a praia de Cadiz) e Bond se apresenta como ornitologista.

Mas a verdadeira bomba deste filme dá pelo nome de Halle Berry, uma actriz que tem tanto de talentosa como de bela, e que foi distingida com um Óscar de Holywood por “Depois do Ódio”, um drama em que contracenou com Billy Bob Thornton.

No filme de 007, Halle Berry surge como a verdadeira antítese das outras ‘Bond girls’ e cria um estilo próprio. Em vez de entrar a matar, é simpática e carinhosa, apesar de mostrar um invejável conforto a manejar uma arma ou pilotar um avião. Na verdade, deixa no ar a imagem de charme ácido de algumas estrelas dos anos 70, estilo “Barbarella” ou Karen Black em “Aeroporto 1975”. Brosnan é o Bond ideal.

PARA A MINHA IRMÃ

Filme de Catherine Breillat, com Anaïs Reboux, Roxane Masquida e e Libero De Rienzo, “Para a Minha Irmã” (”A Ma Soeur”, no original) segue o drama do crescimento e da perda da virgindade.

Anais é uma adolescente de 12 anos, desconfortável com o seu excesso de peso e encantada com a possibilidade do crescimento. Escondida, observa a sua irmã, a bela Elena, de 15 anos, e anseia por uma vida semelhante. Enquanto passam férias junto ao mar, as duas irmãs tentam, cada uma à sua maneira, desenvolver a sua feminilidade e encontrar um rumo para a concretização dos seus desejos.
Filme de 93 minutos, produzido entre França e Itália.
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