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Correio da Manhã

Cultura
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Joel Pina, mestre da guitarra, morre a poucos dias de fazer 101 anos

O músico que trouxe o baixo para o fado acompanhou Amália Rodrigues durante 30 anos.
Miguel Azevedo 13 de Fevereiro de 2021 às 09:13
Joel Pina foi homenageado no S. Luiz num espetáculo que reuniu vários nomes do fado
Músico acompanhou Amália durante trinta anos
Joel na casa de fados Adega Machado nos anos 40
Joel Pina foi homenageado no S. Luiz num espetáculo que reuniu vários nomes do fado
Músico acompanhou Amália durante trinta anos
Joel na casa de fados Adega Machado nos anos 40
Joel Pina foi homenageado no S. Luiz num espetáculo que reuniu vários nomes do fado
Músico acompanhou Amália durante trinta anos
Joel na casa de fados Adega Machado nos anos 40
Aos oito anos já ouvia Maria Alice na grafonola que havia lá por casa. Aprendeu a tocar bandolim ainda em criança (seguiram-se a viola e a guitarra). Aos 23 anos mudou-se para Lisboa, onde formou um quarteto de guitarra, e, em 1966, começou a acompanhar regularmente Amália Rodrigues, até ao final da carreira da fadista. Joel Pina, o mestre que trouxe o baixo acústico para a canção de Lisboa, e que dizia que "os fadistas já têm que nascer para o fado", morreu na quinta-feira à noite, em Cascais, depois de ter sofrido um AVC, a poucos dias de completar 101 anos.

O Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou ontem o "talento", o "instinto", "a disponibilidade e a afabilidade" de um músico que marcou "o século do fado". Professor de gerações de fadistas, Joel Pina tinha sido homenageado, em setembro, no Teatro São Luiz, Lisboa, num concerto que contou com as participações, entre outros, de Maria da Fé, Mariza, Mísia, Carminho, João Braga, Katia Guerreiro e Lenita Gentil.

Nascido a 17 de fevereiro de 1920, em Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, trabalhou na Inspecção Económica, mas foi no fado que fez a diferença, o tal fado que não sabia descrever. "Só sei que se nos põe os pelos em pé é porque é fado", dizia.
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