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Correio da Manhã

Cultura
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Livro desvenda os 240 anos do Martinho da Arcada

Escritor Luís Machado revela histórias da ‘cantina’ de Fernando Pessoa em Lisboa.
João Bénard Garcia 26 de Outubro de 2021 às 08:44
Luís Machado lançou uma obra que comemora os 240 anos de existência do café Martinho da Arcádia, em Lisboa
Luís Machado lançou uma obra que comemora os 240 anos de existência do café Martinho da Arcádia, em Lisboa FOTO: Pedro Catarino
O escritor Luís Machado acaba de lançar uma obra sobre o emblemático café lisboeta Martinho da Arcada, que em 2022 comemora 240 anos de existência, com um vasto programa, sendo o café de porta aberta mais antigo da capital. Ao CM, Luís Machado, secretário da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e também responsável pela dinamização cultural do espaço histórico, explica como lhe surgiu a ideia de escrever um livro sobre o conhecido café do Terreiro do Paço. “São poucos os livros existentes sobre cafés lisboetas. O Martinho da Arcada, além de ser o mais antigo de todos, é um local por onde passaram os liberais, o antigo proprietário era, inclusive, tesoureiro da Loja do Grande Oriente Lusitano e por isso mesmo era ponto de encontro de maçons. Mas foi também testemunha de revoluções e assistiu ao Regicídio do Rei Dom Carlos e do príncipe Luís Filipe em 1908”.

Além das figuras das ordens secretas ou dos revolucionários públicos, também o frequentaram alguns dos vultos da literatura, da intelectualidade e até da criminalidade dos séculos XIX e XX. Pelo Martinho da Arcada “passaram Bocage, Eça de Queirós e Fernando Pessoa, o escritor que marcou para sempre a casa e que nela foi retratado pelo célebre quadro do Almada Negreiros”, descreve Luís Machado, acrescentando que pelo histórico café “passou muito da história do escândalo financeiro que envolveu Alves dos Reis”.

Fundado em 1782 por Julião Pereira de Castro, neveiro-mor da Casa Real, o espaço chegou a ter no frontispício uma tabuleta a designá-lo como ‘Casa da Neve’ e foi o primeiro botequim de luxo da capital. Por ser frequentado por mercadores endinheirados, as suas arcadas tornaram-se vespeiro para jovens mulheres que tentavam seduzi-los, o que gerou investidas intempestivas da Guarda Real da Polícia. Estas e muitas outras curiosidades podem agora ser lidas nas mais de 120 páginas desta edição de luxo.
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