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Correio da Manhã

Cultura

‘Magia’ chinesa triunfa

Ganhar não representa nada." Foi assim que o Prémio Nobel da Literatura deste ano reagiu à escolha da Academia Sueca. O chinês Mo Yan estava na terra natal, Gaomi, de visita ao pai idoso, quando soube da notícia, anunciada ontem.
12 de Outubro de 2012 às 01:00
Mo Yan é conhecido por fundir realismo mágico com temas--chave da China, coisa que fez no romance ‘Peito Grande, Ancas Largas’, editado na versão portuguesa pela Ulisseia em 2007 e que se encontra agora esgotado
Mo Yan é conhecido por fundir realismo mágico com temas--chave da China, coisa que fez no romance ‘Peito Grande, Ancas Largas’, editado na versão portuguesa pela Ulisseia em 2007 e que se encontra agora esgotado FOTO: Yan Bo/Epa

Visivelmente "radiante e assustado", o escritor de 57 anos, filho de agricultores, disse que continuará a "trabalhar no duro" e lembrou que há outros autores da China que mereciam a distinção, que lhe dará ainda 926 mil euros.

Porém, para a Academia Sueca não houve dúvidas: a escrita de Mo Yan, "com um realismo alucinatório, funde contos populares, História e o contemporâneo" Inspirado por William Faulkner, Franz Kafka ou García Márquez, o autor, que na verdade se chama Guan Moye, já escreveu 11 romances – como ‘The Garlic Ballads’ ou ‘Milho Vermelho’, de 1987, adaptado ao cinema por Zhang Yimou – e dezenas de novelas e contos.

Em Portugal, porém, só está traduzido ‘Peito Grande, Ancas Largas’, título que, para Mo Yan, é "uma alusão à fertilidade". A obra de realismo mágico, que a Ulisseia editou em 2007, está esgotada. A sua acção centra-se na vida de uma mulher na China do século passado e o livro chegou a sair de circulação no país pelo teor sexual e pela crítica aos cânones do Partido Comunista.

Reconciliado com o regime do seu país, o escritor foi ontem celebrado na China. A distinção está a ser vista como uma aproximação desta potência à Academia Sueca. Sobre o seu estilo, disse ao ‘El Mundo’: "Não penso muito nos sentimentos dos leitores ocidentais. A literatura autêntica reflecte os pensamentos comuns e descobre que todos temos o mesmo espírito".

PRÉMIO NOBEL LITERATURA
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