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Correio da Manhã

Cultura
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Mario Vargas Llosa comovido com Nobel da Literatura

O Prémio Nobel da Literatura foi esta quinta-feira atribuído ao escritor peruano Mario Vargas Llosa, pela Academia Real de Ciências, em Estocolmo.
7 de Outubro de 2010 às 13:03
Mario Vargas Llosa comovido com Nobel da Literatura
Mario Vargas Llosa comovido com Nobel da Literatura FOTO: d.r.

O escritor, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justificou a Academia em comunicado emitido poucos minutos após o anúncio.

Vargas Llosa estava em Nova Iorque quando soube que foi distinguido com o Nobel da Literatura, disse o secretário permanente da Academia Sueca, Peter Englund. "Ele ficou muito, muito feliz e muito comovido", disse Peter Englund, referindo que deu a notícia a Vargas Llosa por telefone. 

É a 11.ª vez que o Nobel da Literatura é atribuído a um autor em língua espanhola, mas a última vez que o prémio distinguiu um autor da América do Sul foi em 1982, quando Gabriel Garcia Marquez rcebeu o prémio.

Mario Vargas Llosa é ainda autor de preças de teatro e ensaios. 

O Prémio Nobel da Literatura, no valor de um milhão de euros, será entregue a 10 de Dezembro. 

Mario Vargas Llosa recebe o 103º Nobel da Literatura. Em 1998, a Academia Real das Ciências sueca atribuiu a distinção a José Saramago, falecido em Junho deste ano.

OBRA

Da longa bibliografia destacam-se 'A Casa Verde' (1967), 'Conversa na Catedral' (1969), 'Pantaleão e as Visitadoras' (1973), 'A Tia Júlia e o Escrevedor' (1977) e 'A Guerra do Fim do Mundo' (1981), 'História de Mayta' (1984), 'Quem Matou Palomino Molero?' (1986), 'O Falador' (1987), 'Elogio da Madrasta' (1988).

A partir da década de 1990 escreveu, entre outros, 'Como Peixe na Água' (1993), 'Os Cadernos de Dom Rigoberto' (1997), 'Cartas a Um Jovem Romancista' (1997), 'A Festa do Chibo' (2000), 'Paraíso na Outra Esquina' (2003), 'Travessuras da Menina Má' (2006) e 'Diário do Iraque' (2007), o mais recente.

Como intelectual e escritor foi fortemente influenciado pelo existencialismo do filósofo francês Jean Paul Sartre e também pela obra do norte-americano William Faulkner.

Na área política, presidiu, em 1983, a uma comissão que investigou a morte de oito jornalistas, no final dessa década lançou um movimento liberal contra a desestatização da economia, e em 1990 concorreu à presidência do país com a Frente Democrata (FREDEMO), partido de centro-direita, mas foi Alberto Fujimori que acabou por ganhar as eleições.

Na sequência dessa derrota, retomou a actividade literária em Londres, cidade que mais tarde apreciaria pelo anonimato e a calma que lhe proporcionava para poder escrever, mas também dividiu residência por Paris, Barcelona e Madrid.

Foi galardoado, entre outros, com o Prémio Rómulo Gallegos (1967), o Prémio Cervantes (1994), o Prémio Nacional de Novela do Peru (1967), o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras Espanha (1986) e o Prémio da Paz de Autores da Alemanha, concedido na Feira do Livro de Frankfurt (1997).

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