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Correio da Manhã

Cultura
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Morreu produtor Dino de Laurentis

Dino de Laurentis, produtor de filmes de realizadores como Fellini e Rosselini, considerado o representante máximo do cinema italiano do pós-guerra, morreu esta quinta-feira em Los Angeles, aos 91 anos.
11 de Novembro de 2010 às 13:40
Dino de Laurentis é considerado o representante máximo do cinema italiano do pós-guerra
Dino de Laurentis é considerado o representante máximo do cinema italiano do pós-guerra FOTO: d.r.

‘Arroz amargo’, ‘As noites de Cabíria’, ‘Barbarella’, ‘Hannibal’ e ‘Veludo Azul’ são alguns dos filmes produzidos por Dino de Laurentis.

Agostino de Laurentis, que adoptou Dino De Laurentis como nome artístico,  nasceu a 18 de Agosto de 1919 em Torre, Annunziata, na Campânia (Itália).

Filho de um fabricante de massa, rumou para Roma aos 17 anos para estudar no Centro Experimental de Cinema, tendo trabalhado como actor, figurante e câmara para pagar os estudos.

Aos 20 anos já tinha participado na produção da sua primeira película ‘Tropp tardi t´ho conosciuta’ (1939), de Emanuelle Caracciolo, na qual  também entrou como actor.

Depois de servir o exército italiano durante a 2.ª Guerra Mundial regressou ao mundo do cinema e em 1949 conseguiu o primeiro êxito comercial e de crítica  com o filme ‘Arroz amargo’, de Giuseppe de Santis, protagonizado por Silvana  Mangano e Vittorio Gassman.

No início de 1950, juntamente com Carlo Ponti, fundou a produtora ‘Ponti  - De Laurentis’. São desta época ‘A Estrada’ (1954) e ‘As noites de Cabíria’ (1956), de Federico Fellini, que venceram o Óscar para o Melhor Filme de  Língua não Inglesa em 1956 e 1957, respectivamente.

Depois de romper com Carlo Ponti, em 1957, de Laurentis propôs-se construir  os seus próprios estúdios em Roma e em 1964 inaugurou os estúdios ‘Dinocitta’.

Daí saíram filmes como ‘A Bíblia’ de John Huston (1966), ‘O Estrangeiro’ (1967), de Luchino Visconti, ‘Barbarella’ (1968), de Roger Vadim, ou ‘Waterloo’ (1971), de Sergei Bondarchuck.

Estes estúdios também fecharam devido à crise da indústria cinematográfica  italiana e a fracassos do próprio De Laurentis, que acabou por vender a  propriedade ao Governo italiano.

Em 1972, De Laurentis mudou-se para Nova Iorque com a família e em 1983  criou uma produtora em Wilmington (Carolina do Norte), chamada ‘DeLaurentiis Entertainment Group Studios’, que também foi forçado a vender em 1988 devido  a dificuldades económicas.

Dois anos mais tarde criou a ‘Dino De Laurentis Communications’ (DDLC).

Nos Estados Unidos, De Laurentis produziu alguns êxitos da crítica como ‘Ragtime’ (1981), de Milos Forman, e ‘Veludo Azul’ (1986), de David Lynch, mas também fracassos de bilheteira como ‘Hurricane’ (1979), de Jan Troell,  ou ‘Tai-Pan’ (1986), de Daryl Duke.

Entre os êxitos destacam-se títulos como ‘Flash Gordon’ (1980), de Mike  Hodges, e as duas sequelas de ‘O Silêncio dos Inocentes’, de Ridley Scott, e ‘Dragão Vermelho’ (2002), de Brett Ratner.

O seu último projecto foi ‘Virgin Territory (Decameron: Angels & Virgins)’,  em 2007, de David Leland.

O Leão de Prata do Festival de Veneza de 1952, o prémio do Círculo de  Críticos de Nova Iorque e um Globo de Ouro em 1956 e o Prémio Irving G. Thalberg, em 2000, contam-se entre os galardões que recebeu, assim como  o Leão de Ouro do festival de Veneza em 2003.

Em 1949, Dino de Laurentis casou-se com a actriz Silvana Mangano, com  a qual teve três filhas e um filho, e da qual se divorciou em 1983.

Um ano depois da morte da ex-mulher, em 1989, casou-se com a produtora  Marta Schumacher com a qual tem duas filhas.

Rafaela De Laurentis, uma das filhas do produtor, seguiu a carreira  do pai. É produtora em Hollywood e trabalha na sua companhia desde 1987. 

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