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Correio da Manhã

Cultura
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Nobel abafa escândalo com escolha polémica

Feminista polaca foi apelidada de “traidora” e autor austríaco de “fascista” e “negacionista de genocídios”.
Sónia Dias 11 de Outubro de 2019 às 08:41
Peter Handke
Olga Tokarczuk
Peter Handke
Olga Tokarczuk
Peter Handke
Olga Tokarczuk

Após um ano de suspensão, depois do escândalo de assédio sexual, a Academia Sueca escolheu dois vencedores para o Nobel da Literatura (no valor de cerca de 830 mil euros): a polaca Olga Tokarczuk e o austríaco Peter Handke, unidos não só pelo amor à escrita mas também pelo ativismo e pela controvérsia.

O "trabalho influente de engenharia literária" valeu a Peter Handke, de 76 anos, um prémio que considera uma "falsa canonização" e que poderá até rejeitar (como já o fez noutras ocasiões). "Eu gosto quando um leitor me escreve uma carta. Esse é o meu tipo de recompensa", disse o autor nascido em Griffen, na Áustria, que tem mais de uma dezena de obras publicadas em Portugal. Realizador (‘A Mulher Canhota’) e argumentista (‘As Asas do Desejo’, de Wim Wenders), foi criticado por discursar no funeral do ex-presidente jugoslavo Slobodan Milosevic, acusado de crimes de guerra, em 2006. As suas posições pró-sérvias levaram o autor a ser apelidado de "fascista" e "negacionista de genocídios". Por este motivo, Handke diz-se "surpreendido" com a escolha "corajosa" da Academia Sueca.

Feminista e vegetariana, Olga Tokarczuk nasceu em 1962 (57 anos), em Sulechów, na Polónia, e ganhou o Man Booker International com o seu sexto romance, ‘Viagens’, quatro anos depois de ter sido apelidada de "traidora" por grupos de extrema-direita depois de dizer que a Polónia cometeu "atos horrorosos" de colonização. A sua editora teve de contratar guarda-costas para a proteger. Entretanto, chega na segunda-feira às livrarias ‘Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos’ (Cavalo de Ferro), o segundo livro de Tokarczuk no mercado português.

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