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Correio da Manhã

Cultura
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O homem da lata de sopa

Cumprem-se amanhã vinte anos sobre a morte de Andy Warhol, o ícone da arte dos ícones: a Pop Art. Andy Warhol foi, com Roy Fox Lichtenstein ou Jean-Michel Basquiat, expoente desta corrente artística que usava figuras e ícones populares para recriar aquilo a que chamava a cultura do desperdício. Tratava-se de cruzar uma cultura de massas com uma cultura do quotidiano e colocar a arte ao serviço do homem, o que contrariava toda a prática corrente.
21 de Fevereiro de 2007 às 00:00
O homem da lata de sopa
O homem da lata de sopa
Famoso pelas reproduções de rostos e produtos tão comerciais como Marilyn Monroe, a lata de sopa Campbell’s, Che Guevara ou a garrafa de Coca-Cola, é também dele a frase que melhor define a celebridade: “No futuro todos terão os seus 15 minutos de fama.”
Mas nem só a sua arte era desconcertante. A personalidade não lhe ficava atrás, oscilando entre a timidez e a excentricidade, denunciando-se em detalhes tais como a peruca branca sobre os cabelos escuros que passou a usar nos anos 50 ou a mudança de nome.
Andy Warhol nasceu Andrew Warhola (1928-1987) numa família checo-eslovaca que emigrou para os Estados Unidos para evitar que o pai fosse recrutado pelo exército austro-húngaro.
Estávamos no fim da I Guerra Mundial e teríamos de esperar pelos anos 50 para termos artista. E foi já rebaptizado de Andy Warhol que começou a pintar símbolos americanos famosos, fossem pessoas ou coisas. O objectivo não era tanto a crítica ao consumo mas a sua integração na cultura e posterior utilização na arte, a génese da Pop Art.
A primeira exposição aconteceu em 1952 e 1961 é o ano da primeira obra em série: a da lata de sopa mais famosa do Mundo. Para trás ficava a experiência da rejeição com um desenho de sapatos para a revista ‘Glamour’ a ser chumbado graças à forte conotação sexual implícita.
Artista completo, Warhol descobriu o cinema experimental em 1963 e a música em 1967, produzindo bandas como os Velvet Underground, onde pontuava Lou Reed. Nos anos 70 publica a autobiografia e até 1987, ano da morte, dedica-se a patrocinar artistas em início de carreira.
PERFIL
Andrew Warhola (1928-1987), terceiro e último filho de emigrantes da antiga Checoslováquia, nasceu em Pittsburgh e morreu em Nova Iorque na sequência de uma operação à vesícula. Estudante, as dificuldades em língua inglesa eram mais do que muitas (em casa sempre se falou checo), falta compensada com a criatividade apesar da desobediência às mais elementares regras. Conquistou o Mundo em 1961 com a lata de sopa da marca Campbell’s.
COLECÇÃO BERARDO
A Colecção Berardo é uma das raras que, em Portugal, integra obras de Andy Warhol, com destaque para a histórica lata de sopa Campbell’s. No total são 26 as obras do artista constantes da colecção do comendador, adquiridas entre 1993 e 2000, uma das quais avaliada em 12 milhões de euros – e não é a mais cara. Outras obras de Warhol, a ver no Museu Berardo que abre este ano no Centro Cultural de Belém, são os retratos em série de Judy Garland, Bianca Jagger, Liza Minelli, Henry Kissinger, Elizabeth Taylor e Truman Capote e ainda o auto-retrato fotográfico feito em casa, em Montauk, nos Estados Unidos, a preto e branco, em 1980.
ARTISTA COMPLETO
PINTURA
Após a estreia, em 1952, com ‘15 Desenhos Sobre os Escritos de Truman Capote’, sucesso comercial e artístico, dedica-se ao trabalho em série, iniciado em 1961 com as latas de sopa Campbell’s, as garrafas de Coca-Cola e as notas de dólar. Em 1963 inaugura o próprio estúdio, a que chama, simplesmente, The Factory (A Fábrica).
CINEMA
O cinema ocupa a sua obra entre 1963 (‘Sleep’) e 1972 (‘L’Amour’) num total de 60 filmes. Cinema experimental deliberadamente monótono, de que é bom exemplo o filme de estreia, ‘Sleep’ (‘Dormir’), que se resume a acompanhar as oito horas de sono de um homem.
MÚSICA
Em 1967 patrocina e produz ‘The Velvet Underground and Nico’, álbum de estreia da banda de Lou Reed, para o qual fez a capa: uma banana à Andy Warhol.
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