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Correio da Manhã

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"O teatro está de luto": Carlos Avilez reage à morte da atriz Carmen Dolores

A atriz Carmen Dolores morreu na segunda-feira, em Lisboa, aos 96 anos.
Lusa 16 de Fevereiro de 2021 às 16:18
Carmen Dolores
Carmen Dolores FOTO: Direitos Reservados
O fundador do Teatro Experimental de Cascais Carlos Avilez considerou hoje que "o teatro está de luto com a morte de Carmen Dolores", que morreu na segunda-feira, aos 96 anos.

Carlos Avilez disse à agência Lusa que "adorava a Carmen Dolores", por quem tinha "uma grande amizade e um grande respeito", classificando-a como "uma pessoa única" e uma "mulher de causas".

"Não conheço ninguém que não gostasse da Carmen, fala-se dela e a classe inteira tinha um respeito e uma admiração enorme pela Carmen. Ainda bem que chegou a ser homenageada em vida", afirmou.

O ator e encenador destacou ainda "a magnifica voz que a Carmen tinha", a sua "autoridade humana", a "sensibilidade" e a "elegância na forma de ser".

Tendo trabalhado com Carmen Dolores "como ator", em 1956, e feito com ela em Cascais "duas peças", Carlos Avilez revelou ter sido "sempre um grande admirador" da atriz.

"Ainda a semana passada falei com ela. Embora tivesse 96 anos, não esperava [a sua morte]", acrescentou.

A atriz Carmen Dolores morreu na segunda-feira, em Lisboa, aos 96 anos.

Nascida em Lisboa, a 22 de abril de 1924, Carmen Dolores estreou-se nos palcos no Teatro da Trindade, na capital portuguesa, em 1945, mas para trás ficava um percurso iniciado anos antes, na rádio, como declamadora e atriz, e no cinema, onde protagonizara filmes como "A vizinha do lado", de António Lopes Ribeiro, e "Amor de Perdição", de Leitão de Barros.

Seguir-se-ia o trabalho no Teatro Nacional D. Maria II, então com a Companhia Rey Colaço - Robles Monteiro, e um percurso de 60 anos que passou pela maioria dos palcos portugueses, companhias independentes, cinema, rádio e televisão.

Retirou-se em 2005, com a peça "Copenhaga", no Teatro Aberto, encenada por João Lourenço.

Em julho de 2018, a atriz foi condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, no âmbito de uma homenagem no Teatro da Trindade à atriz, que incluiu a estreia da peça "Carmen", inspirada nas suas memórias, e o batismo da sala principal com o seu nome.

Carmen Dolores foi ainda distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Presidente da República Jorge Sampaio, com a Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Lisboa, o prémio Sophia de Carreira, da Academia Portuguesa de Cinema, e o Prémio António Quadros de Teatro, entre outros galardões.

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