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Correio da Manhã

Cultura
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Paulo Ribeiro mostra ‘Maiorca’ em Lisboa

Não há falta de argumentos para ver este espectáculo: Pedro Burmester interpreta, ao piano, os 24 Prelúdios de Chopin, enquanto seis bailarinos interpretam a coreografia concebida por Paulo Ribeiro para esta obra ilustre. O resultado é ‘Maiorca’, a ver no Teatro São Luiz dias 26, 27 e 28.
25 de Fevereiro de 2010 às 21:45
Paulo Ribeiro assina uma coreografia viril e imaginativa
Paulo Ribeiro assina uma coreografia viril e imaginativa FOTO: D.R.

Frédéric Chopin (1810-1849) estava na ilha de Maiorca – de férias com a escandalosa escritora George Sand – quando terminou os seus famosos 24 Prelúdios e os enviou para Paris. Tinha trabalhado na obra durante oito anos – de 1831 a 1839 – e, quando esta foi dada a conhecer ao público, os críticos os ficaram perplexos: como classificar um trabalho tão original e tão indiferente à moda?

 

Desafiado por Jorge Salavisa a criar uma coreografia a partir dos Prelúdios, Paulo Ribeiro concebeu ‘Maiorca’, que depois de apresentações no Porto e em Coimbra, chega agora a Lisboa, com uma proposta de “serão completo”. Ao prazer de apreciar a coreografia, junta-se o de assistir, ao vivo, a um concerto do virtuoso Pedro Burmester, que aqui tem ampla possibilidade de brilhar ao piano, no meio da coxia (centro da plateia).

 

Num cenário despojado, negro, onde estão, espalhadas pelo chão, várias placas de contraplacado, seis bailarinos vestidos de negro erguem-se do chão para, ao longo de uma hora e meia, interpretarem uma coreografia que, ao jeito de Paulo Ribeiro, é viril, intensa, imaginativa.

 

O espectáculo tem uma estrutura desgarrada: a cada prelúdio corresponde uma história, uma aventura, uma brincadeira diferente. Os bocados de contraplacado servem aos bailarinos para construírem, à vista dos espectadores, estruturas diversas, que evocam desde barracas de feira até um castelo, desde uma montanha a uma muralha de pedra. E é em todos esses cenários – actores fundamentais neste trabalho – que contracenam uns com outros ou sozinhos.

 

Muitas vezes teatral, frequentemente acrobático, o espectáculo tem momentos plasticamente muito belos. É para ver sexta e sábado às 21h00, domingos às 17h30.

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