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Correio da Manhã

Cultura
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“Tenho um fascínio pelo número três”

Mário Cláudio recebeu nesta semana o Prémio Namora de 2008 por ‘Camilo Broca’, romance biográfico sobre o autor de ‘Amor de Perdição’, género literário pelo qual é tão conhecido como reconhecido.
6 de Fevereiro de 2009 às 00:30
“Gosto muito das mulheres que se vingam dos homens que as tratam mal”
“Gosto muito das mulheres que se vingam dos homens que as tratam mal” FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

Corriam os anos 80 quando leitores e críticos se renderam à trilogia que dedicou a Amadeo de Souza-Cardoso, Rosa Ramalho e Guilhermina Suggia. Em comum, mais confirmações do que surpresas.

"Não sou muito de surpresas nem de grandes expectativas, daí que, em regra, o que acontece é confirmar suspeitas. Por exemplo, em relação a Camilo Castelo Branco, o que me foi dado a constatar foi um homem de uma incontestável genialidade e de uma enorme patifaria", revela.

Distinguido com alguns dos mais prestigiados prémios literários portugueses, nomeadamente o Prémio Pessoa de 2004, o escritor diz-se "reconhecido e estimulado". Pouco mais. É mais sensível a quem admira e a quem lê: "Camilo é o escritor da portugalidade mas agora leio outros: Dickens e Agustina sempre, e acabei de ler, de Jaume Cabré, ‘As Vozes do Rio Pamano’: é extraordinário."

A caminho vem uma nova biografia a partir de ideia antiga: "Há muito que queria escrever sobre ‘Tarzan’ e nunca estive tão perto, uma vez que, não sendo o protagonista, aparece bastante", adianta.

Mário Cláudio é um escritor que tem uma particularidade, no mínimo, curiosa – e ‘Camilo Broca’ é disso bom exemplo: romance a três vozes e em três partes. "Tenho um fascínio irresistível pelo número três, daí as trilogias, os três capítulos, as três vozes: a de Camilo, a minha e a da irmã, que é uma figura limitada pelo excesso do irmão. Gosto das mulheres que se vingam dos homens que as maltratam e vice-versa. A vingança é uma boa motivação para a escrita", sustenta.

PESSOAL

POESIA "A poesia continua a ser o meu balãozinho de oxigénio mas só para consumo caseiro. Tenho resistido à sua publicação, até porque, na poesia portuguesa, são sempre as mesmas vozes a dizer as mesmas coisas."

BANDA DESENHADA "Sou um leitor compulsivo de BD mas nunca me deu para pensar nela como autor. A ideia agrada-me mas teria de conseguir um ilustrador interessado nos meus textos e cujo trabalho gráfico me interessasse a mim... Há muitos e bons."

AUTOBIOGAFIA "Por muito que escreva as histórias de outros, e vou continuar, a minha não! Só se for por interposta pessoa."

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