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Cultura
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"Tristeza profunda": As primeiras reações à morte do fadista Carlos do Carmo

Nas redes sociais surgem várias homenagens ao músico.
Correio da Manhã 1 de Janeiro de 2021 às 10:45
Carlos do Carmo
Carlos do Carmo FOTO: Sérgio Lemos
O fadista Carlos do Carmos morreu na madrugada desta sexta-feira vítima de um aneurisma, no hospital de Santa Maria em Lisboa. 

Nas redes sociais surgem várias homenagens ao músico: 

"Grande figura da cultura" e "grande homem": Marcelo Rebelo de Sousa recorda Carlos carmo 

O Presidente da República reagiu esta sexta-feira com um sentimento "de perda" à notícia da morte do fadista Carlos do Carmo, que recordou como "uma grande figura da cultura" e também como "um grande homem".

Em declarações à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter recebido esta notícia com uma reação idêntica "à de todos os portugueses", "uma reação de perda".

"Perda por aquilo que Carlos do Carmo fez pela consagração do fado como património imaterial da Humanidade, mas também pelo que deu como voz de Portugal cá dentro e lá fora junto das comunidades portuguesas, prestigiando não apenas o fado, mas a nossa cultura", destacou.

O chefe de Estado realçou ainda que Carlos do Carmo foi "uma voz" na luta pela liberdade nos tempos da ditadura e na transição para a democracia.

"Por detrás de uma grande figura da cultura estava um grande homem, com uma grande riqueza pessoal, uma sensibilidade e uma intuição e identificação com o povo português que o povo português não esquece", acrescentou.

O Presidente da República considerou que a morte de Carlos do Carmo, no primeiro dia de 2021, "um dia que devia ser de esperança", não pode ser encarada "com desesperança", mas como uma homenagem a alguém que "nunca perdia a esperança".

"Não queria ouvir esta notícia nem hoje, nem nunca": Simone de Oliveira sobre morte de Carlos do Carmo






Guitarrista António Chaínho rercorda Carlos do Carmo como "o grande profissional"

Carlos do Carmo foi "um grande profissional", disse o guitarrista António Chaínho, que o acompanhou durante 25 anos, até 1991.

O músico salientou "o bom gosto musical" do fadista e "o cuidado com a escolha de repertório".

Chaínho, em declarações à agência Lusa, referiu o gosto que o fadista tinha pelo cantor norte-americano Frank Sinatra, "cuja atitude em palco seguia de certa forma".

António Chaínho contou que recentemente tinha falado com Carlos do Carmo. "Tenho o coração todo partido", afirmou.

O guitarrista acompanhou Carlos do Carmo até 1991, tendo participado nas gravações dos seus álbuns "Homem na Cidade" e "Homem no País" e em várias digressões internacionais.

À Lusa recordou o espetáculo em Bordéus, França, onde o músico teve um acidente e partiu "várias costelas".

"Foi mesmo a terminar o espetáculo, estava a cantar 'Lisboa, Menina e Moça', e, mesmo depois da queda, fez questão de fechar o espetáculo", recordou.

Ferro Rodrigues recorda "nome ímpar" no fado e luta pela liberdade

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, manifestou o seu pesar pela morte do fadista Carlos do Carmo, que recordou como "um nome ímpar" do fado e como "figura relevante" na luta pela liberdade.

Numa mensagem de pesar, a segunda figura do Estado recordou também um "amigo de mais de 60 anos" e a personalidade marcante de Carlos do Carmo, "que não deixava indiferente quem com ele convivia".

"Carlos do Carmo é, inquestionavelmente, um nome ímpar do fado e figura incontornável do meio artístico e da canção portuguesa, numa carreira de décadas que perdurará na memória de todos nós", refere.

Ministra da Cultura lembra "uma das maiores referências do fado"

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, recordou Carlos do Carmo como "uma das maiores referências da interpretação do fado, que mostrou sempre uma especial preocupação com a divulgação desta forma de música".

Graça Fonseca reagia assim à morte de Carlos do Carmo, hoje, em Lisboa, na conta oficial do Ministério da Cultura, na rede social Twitter.

"A maior força renovadora do fado depois de Amália": Vieira Nery sobre Carlos do Carmo

Carlos do Carmo "foi a maior força renovadora do fado, depois de Amália Rodrigues (1920-1999)", disse o musicólogo Rui Vieira Nery, em reação à morte do fadista, ocorrida hoje, em Lisboa, aos 81 anos.

Rui Vieira Nery, autor de "Para uma História do Fado", em declarações à agência Lusa, afirmou que "quase todos os momentos de renovação do fado, nos últimos 50 anos, tiveram alguma ligação com Carlos do Carmo".

Vieira Nery referiu "os grandes poetas e compositores de outras áreas que Carlos do Carmo trouxe para o fado" e "as pontes que estabeleceu entre o fado e outros géneros musicais".

Rui Vieira Nery, que era amigo do fadista, sublinhou "o apoio e encorajamento de Carlos do Carmo aos novos fadistas".

Fernando Medina define Carlos do Carmo como "a voz" de Lisboa 

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, evocou a memória de Carlos do Carmo, que morreu aos 81 anos, definindo o fadista como "a voz" da cidade, que "não o esquecerá".

Numa publicação nas redes sociais, o autarca começa por dizer que "2021 amanhece triste com a partida de Carlos do Carmo", antes de declarar que o fadista "fez de Lisboa menina e moça para o mundo inteiro ouvir".

E concretiza: "Foi a voz da cidade e esta não o esquecerá".

Para Fernando Medina, "desaparece o homem, mas a voz e as canções" de Carlos do Carmo ficam.

"Carlos do Carmo permanecerá em todos nós sempre que alguém entoar as 'Canoas do Tejo' ou em qualquer rua ou viela de Alfama alguém assobiar 'Os Putos'. Sim, Carlos do Carmo será sempre 'O Homem (da) na Cidade'", concretiza.

Rui Rio diz que obra do fadista Carlos do Carmo "não morreu, nem nunca morrerá"

O presidente do PSD, Rui Rio, recordou Carlos do Carmo como "um grande vulto da música portuguesa", e considerou que "a sua obra não morreu, nem nunca morrerá".

"A minha justa homenagem a Carlos do Carmo, um grande vulto da música portuguesa. A sua obra não morreu, nem nunca morrerá", escreveu Rui Rio, numa publicação na rede social Twitter.

Universal Music recorda "enorme legado que marcou profundamente o Fado"

O fadista Carlos do Carmo, falecido aos 81 anos, "deixa um enorme legado que marcou profundamente o Fado", afirma em comunicado a discográfica Universal Music, na qual o fadista gravou durante grande parte da sua carreira.

"O fadista, Senhor de um dom inigualável, Carlos do Carmo deu vida às palavras como ninguém. Muitas vezes visionário, nunca abdicou de levar o Fado para outras dimensões, de lhe introduzir novos instrumentos, de evangelizar novos poetas, de manter o nível", lê-se no mesmo comunicado.

A discográfica refere que Carlos do Carmo se preparava "para editar o seu novo álbum de estúdio, mesmo depois de ter dito adeus aos palcos, há cerca de um ano, quando havia completado 80 anos".

Marisa Matias recorda "expoente máximo" da cultura e da reflexão sobre o país

A candidata presidencial e dirigente do BE, Marisa Matias, recordou Carlos do Carmo como "um expoente máximo" da cultura e da reflexão sobre o país, considerando que a sua morte é "uma forma muito triste de começar" 2021.

"É uma forma muito triste de começar este ano de 2021. Falamos de uma pessoa que não foi apenas um expoente máximo da cultura, mas foi também um expoente máximo na reflexão, em ajudar-nos a pensar o país, ajudar-nos a construir um país melhor", afirmou Marisa Matias, questionada pelos jornalistas no final de uma visita à Casa do Lago, um centro de apoio a vítimas de violência doméstica em Lisboa.

"É sem dúvida uma falta enorme que nos fará o Carlos do Carmo", acrescentou.




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