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Djibrilo Iafa diz-se "privilegiado" e lança candidatura a Paris2024

Judoca assume que a sua estreia em Jogos Paralímpicos lhe proporcionou uma experiência única e ensinamentos para o futuro.
Lusa 28 de Agosto de 2021 às 10:08
O judoca português Djibrilo Iafa (D) frente a Giordi Kaldani (E) da Georgia, durante o combate de -73kg, para deficiência visual, nos jogos Paralímpicos de Toquio 2020
O judoca português Djibrilo Iafa (D) frente a Giordi Kaldani (E) da Georgia, durante o combate de -73kg, para deficiência visual, nos jogos Paralímpicos de Toquio 2020 FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa
O judoca português Djibrilo Iafa afirmou este sábado sentir-se "privilegiado" por ter estado nos Jogos Paralímpicos Tóquio2020, onde participou no torneio de -73 kg, e aproveitou para "lançar a candidatura" aos Jogos Paris2024.

"Sinto-me um privilegiado por estar aqui, trabalhei muito para poder chegar a estes Jogos, estou muito agradecido a todos os que me apoiaram", disse o atleta, após a participação no torneio paralímpico de judo da categoria -73 kg, que terminou na nona posição.

O judoca, do Clube Judo Total, admitiu não ter conseguido o objetivo, depois de ter perdido no primeiro combate com o georgiano Giorgi Kaldani (B2), e na repescagem como o ucraniano Ruffat Mahomedov (B3), ambos por 'ippon'.

"Não me conformo em chegar e participar, vim com o objetivo de ganhar algo, não foi possível", afirmou o judoca, 15.º classificado do 'ranking' mundial.

Aos 29 anos, Djibrilo Iafa assume que a sua estreia em Jogos Paralímpicos lhe proporcionou uma experiência única e ensinamentos para o futuro: "A conclusão que tiro daqui é que tenho de continuar a trabalhar para conseguir os meus objetivos, e vou levar esta experiência para a vida".

No judo para cegos, os atletas são agrupados por peso e não por grau de deficiência, o que faz com que Djibrilo Iafa compita com adversários com alguma visão, situação que lhe traz alguma desvantagem.

"Quando não vemos, temos menos noção do espaço. Se o meu adversário começa a mover-se muito da esquerda para a direita tenho de posicionar-me primeiro para fazer o meu judo. Se isso não acontecer, fica muito difícil impor o meu judo", afirmou.

O judoca luso-guineense lembrou que a qualificação foi difícil: "Em cada categoria só se qualificavam os 12 primeiros, não foi fácil, até porque não houve muitas competições nos últimos tempos".

Djibrilo Iafa confessou que o judo ocupa um lugar muito importante na sua vida e garantiu: "Faço judo não só para competir, mas para poder fazer o meu dia a dia".

"Levo comigo diariamente os valores que aprendo no 'tatami': como lidar com os outros e respeitar o espaço onde estamos e tudo o que nos rodeia. O judo ensino tudo isto, tanto no treino como em competição".

Desde o Nippon Budokan, onde o amigo Jorge Fonseca conquistou o bronze olímpico nos -100 kg em 29 de julho passado, Djibrilo lançou a candidatura aos Jogos Paris2024.

"Desde aqui lanço a minha candidatura a Paris2024, prometo a todos os que apoiam, família e amigos, que vou dar tudo para poder lá estar", disse.

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