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Correio da Manhã

Desporto
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FC Porto a meio-gás foi suficiente em noite muito fria

Temperatura não ajudou e o FC Porto demorou a aquecer. Penálti até quebrou o gelo, mas houve um par de sustos pelo caminho.
Sérgio Pereira Cardoso 4 de Janeiro de 2021 às 01:30
O FC Porto cumpriu a missão e venceu o Moreirense em casa, mas entrou no ano sem fato de gala. Numa noite gelada, os dragões estiveram apenas a meio-gás e ainda se arrepiaram pelo caminho. O conforto só veio com dois golos perto do fim, num triunfo que permite a reaproximação ao Sporting e a pressão ao Benfica.

Com um 11 pleno de criatividade e um adversário a lamber feridas da saída do treinador, adivinhava-se uma entrada bem mais exuberante do FC Porto do que aquilo que realmente aconteceu. Em registo de devagar, devagarinho e parado, apenas se notava a vontade de pressionar alto a saída de bola do Moreirense, mas acumulavam-se as jogadas sem nexo e sem quaisquer remates à baliza.

A aliar à muita chuva, também um penálti caiu do céu para os dragões, aos 20 minutos. Entrada atardada de Ferraresi sobre Corona e Sérgio Oliveira a bater - por pouco, diga-se - Pasinato da marca dos 11 metros.

A vantagem estabilizou os homens de Conceição, ainda que o motor tenha demorado mais uns minutos a aquecer. Só na reta final é que surgiram as oportunidades. Aos 39’, Taremi cabeceou à barra e Marega viu Pasinato fazer uma grande defesa na recarga. A dupla de avançados ainda teve, juntamente com Díaz, mais um par de lances interessantes para terminar com o resultado.

Só que, dos balneários, os dragões vieram de novo a tremer. Aos 54’, Walterson chegou atrasado numa situação de grande superioridade e com Marchesín fora da baliza. No lado contrário, eram Corona e Taremi os donos das melhores oportunidades, mas Pasinato chegava para as encomendas. Já com Martínez no lugar de Marega, foi novamente Taremi a originar lance de golo. Primeiro, atirou ao poste, depois assistiu o espanhol para o 2-0, que, contudo, seria anulado por fora de jogo de 3 centímetros. Não foi aí, foi minutos mais tarde. Novamente Toni Martínez, aos repelões e com desvio num adversário, trouxe o conforto, que Evanilson, acrobático, cimentou já nos descontos.

Dragão entra em 2021 ao ritmo de Sérgio Oliveira
o Marchesín – Atento. Chegou para as encomendas, apesar de Walterson bem ter tentado chegar ao golo.
o Manafá – Está um jogador mais maduro e confiante. Dá profundidade ao seu flanco, criando perigo.
o Mbemba – Seguro a defender e perigoso no ataque. Bom cabeceamento por cima da baliza de Pasinato. Tentou o passe de longa distância.
o Diogo Leite – Cumpriu. Jogou simples e sem complicar. Deixou passar uma bola tensa que criou arrepios.
o Zaidu – Fez o corredor todo e beneficiou das boas combinações com Luis Díaz e também com Taremi.
o Uribe – Trabalhador no meio-campo a recuperar bolas e a lançar o ataque. Importante na zona de construção.
o Sérgio Oliveira - De penálti não perdoa. Teve dois passes a picar por cima da defesa que não foram aproveitados por Luis Díaz e Taremi. Bem ao assistir, de primeira, Evanilson no 3-0 portista.
o Corona –Começou lento mas melhorou. É ele quem sofre a falta para a grande penalidade. Muito ativo e com remates perigos, que esbarraram no guardião Pasinato.
o Luis Díaz – Mexido. Jogou com uma rotação acima dos defesas do Moreirense. Rápido, teve várias oportunidades, mas pecou na finalização.
o Taremi – Esforçado mas com azar. Apesar das oportunidades criadas não marcou. Tem um cabeceamento à trave. E um remate ao poste, mas partiu no início da jogada em fora de jogo.
o Marega – Perdeu uma oportunidade soberana num ressalto de uma bola na trave atirada por Taremi, mas o guarda-redes Pasinato negou-lhe o golo com a defesa da noite. Foi o primeiro a sair.
o Toni Martínez – Entrou e aproveitou a primeira oportunidade para fazer golo, mas Taremi que o assistiu estava em fora de jogo por... 3 centímetros.
o Fábio Vieira – Iniciou a jogada do 3-0 com um passe a cruzar o campo para Sérgio Oliveira.
o João Mário – Refrescou a equipa, numa altura em que o dragão ainda acelerou mais o seu jogo.
o Evanilson – Entrada de dragão. Na primeira vez que tocou na bola fez um golo (3-0).
Romário Baró – Sem tempo.

ANÁLISE
+ Banco com crédito
Um golo para cada um dos avançados que saíram do banco. Toni Martínez ganhou na insistência e Evanilson executou um belo gesto técnico. Nota para a onda de vitórias portistas: seis seguidas na Liga, 14 jogos consecutivos sem perder.

- Tremeliques a mais
O FC Porto continua a apresentar deficiências na transição defensiva e apanhou um par de sustos que não deram golo por muito pouco, frente a um adversário claramente inferior e que leva 12 derrotas em 12 jogos no Dragão.

Auxiliar foi essencial
Penálti sobre Corona não merece contestação, fica a ideia de que foi o árbitro-auxiliar a dar a indicação para a grande penalidade. De resto, ajuda do VAR no anular de um golo portista por 3 centímetros.
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