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Correio da Manhã

Desporto
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Portugal ganha Azerbaijão com autogolo

Equipa das quinas fez 29 remates à baliza do Azerbaijão. Mas na única vez em que a bola lá entrou, foi após uma carambola entre dois azeris.
Mário Pereira 25 de Março de 2021 às 01:30
FOTO: GETTY IMAGES
Com uma vitória ao pé coxinho, reflexo de uma exibição pobre, Portugal deu esta quarta-feira o primeiro passo na caminhada rumo à fase final do Mundial de futebol de 2022, que terá lugar no Qatar.

Terá sido uma das menos conseguidas exibições da era Fernando Santos. Portugal atacou muito, mas atacou mal. Houve demasiados cruzamentos para tão poucos desvios. Excesso de passes mal medidos. Baixa rotação na circulação de bola. Os mínimos absolutos, contudo, vão para a eficácia do remate: 29 tiros (15 enquadrados) à baliza do Azerbaijão, mas na única vez em que a bola lá entrou foi graças a uma carambola entre dois jogadores da 108ª seleção do ranking FIFA. Um lance insólito, após cruzamento de Rúben Neves, em que o guarda-redes Magomedaliyev (que fez a exibição da sua vida) desviou contra o corpo de Medvedev. Aconteceu isto aos 37 minutos.

Na contabilidade das razões que explicam a baça exibição portuguesa não pode deixar de falar-se, também, no apagão de Ronaldo. Rematou, tentou o golo, mas está a jogar sem a alegria contagiante de outros tempos. E isso reflete-se na sua eficácia. Ontem, tinha até mais uma razão para se sentir confortável: era o único jogador português a atuar em casa, na relva do Juventus Stadium. Mas nem isso o inspirou particularmente. A seleção portuguesa, já se sabe, enquanto Ronaldo calçar as chuteiras, será CR7 e mais dez. Mas nota-se uma quase obsessão dos seus colegas em procurá-lo, na zona próxima da baliza. O que às vezes aflige.

A primeira parte, apesar de tanta parcimónia, foi de sentido único. Com algumas surpresas no onze, Portugal mandou no jogo e merecia mais do que o autogolo. Mas tinha de jogar com mais intensidade e trocar a bola com mais velocidade para justificar o estatuto.

Após o intervalo, nada se alterou. As mexidas que Santos foi fazendo nada acrescentaram, tal como de nada deve ter valido um eventual puxão de orelhas nos balneários. E ao contrário do que sucedeu nos primeiros 45 minutos, o Azerbaijão da segunda metade deitou a cabeça de fora e em diversos momentos conseguiu esticar-se ao ponto de causar calafrios à defesa portuguesa. O engenheiro acabou a partida a mandar Palhinha e Sérgio Oliveira para dentro do campo, sinal claro de que a ordem era fechar a porta, não fosse acontecer alguma corrente de ar.

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