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Correio da Manhã

Desporto
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Águias continuam imparáveis na Liga

Primeira parte arrasadora do Benfica coroada com dois golos do ucraniano. Águia podia ter ido para o intervalo a vencer por mais.
Sérgio Pereira Cardoso e João Moniz 26 de Setembro de 2021 às 09:52
Yaremchuk pica a bola sobre Trmal, com Darwin a ver
Yaremchuk pica a bola sobre Trmal, com Darwin a ver FOTO: direitos reservados
Ninguém pára o Benfica. As águias saem ainda mais embaladas do Berço após uma vitória que foi construída de forma imperial por Roman Yaremchuk. O bis do ucraniano teve seguimento com o 0-3 de João Mário e nem o penálti de Bruno Duarte estragou as contas: sete jogos, sete triunfos e os rivais a quatro pontos.

Aqui vai um clássico do léxico futebolístico: foram duas partes distintas. E a primeira teve um domínio arrasador da equipa de Jorge Jesus - confortáveis com bola, os homens da Luz iam castigando o espaço entrelinhas através da presença de Rafa, um diabo à solta em Guimarães.

Foi através dessas ações do internacional português que surgiram as duas primeiras oportunidades de Roman - atirou ambas por cima, aos 18’ e aos 22’. À terceira, foi de vez. Vertonghen muito inteligente num passe a rasgar a defesa vitoriana, Darwin a confundir as marcações e o ucraniano a ficar isolado e a picar sobre Trmal. 0-1.

A equipa de Pepa ia tentando responder, mas de forma ténue, com cruzamentos sem grande significado. E o cenário piorou por culpa própria. Borevkovic perde a bola de forma infantil, Grimaldo escolhe Rafa e este volta a isolar Yaremchuk. O primeiro remate foi bloqueado, mas o segundo acaba nas redes. Era o 0-2, aos 41’, e seguiu-se mais uma onda de oportunidades que deixou os vimaranenses a desesperar pelo intervalo.

E fez-lhes bem, diga-se. Completamente diferente a segunda metade dos homens da casa, com uma entrada forte que esbarrou na ineficácia de Edwards - ainda assim, o melhor vitoriano - e Estupiñán. Foi a fase de menor paz benfiquista, até na relação com o banco. Aos 64’, Darwin não passa a bola a Yaremchuk e Jesus ficou furioso. Após uma troca de palavras, o técnico chamou logo Pizzi e tirou... Roman Yaremchuk.

O técnico explicou que já ia substituir o ucraniano, que até estava fatigado, coisa que não se pode dizer de Rafa, sempre ligado à corrente. Aos 73’, mais uma arrancada num contra-ataque perfeito e bola para João Mário , que teve sorte na finalização do 0-3. Tempo para pensar no Barça e nem o penálti displicente de Lucas Veríssimo e respetivo golo de Bruno Duarte arruinou o plano. O Benfica volta a passar em Guimarães - a última vez que não ganhou no Berço foi em 2015 - e segue imparável na Liga.

Positivo 
Melhor arranque de Jesus
Sete jogos e sete vitórias. Melhor arranque de sempre de Jorge Jesus no Benfica e é preciso recuar a 1982/83, com Eriksson, para encontrar feito similar. Por falar em arranques, Rafa é uma coisa impressionante: jogaço com duas assistências.

Negativo
Muitos erros defensivos
A primeira parte vitoriana é muito pobre e o erro de Borevkovic no segundo golo quase imperdoável. Do lado benfiquista, o processo defensivo também não foi tão competente, com a desinspiração de Veríssimo espelhada no penálti cometido.

Arbitragem positiva
Penálti indiscutível de Lucas Veríssimo sobre Rochinha e boa decisão na queda sem falta de Darwin na área vitoriana. De resto, arbitragem sem problemas de Luís Godinho. O critério largo no campo técnico e disciplinar até beneficiou o encontro.

Rui Costa sacrifica Moniz
Rui Costa deixou cair José Eduardo Moniz face à contestação que este enfrentava no universo benfiquista. A saída do vice-presidente foi uma forma do agora candidato à presidência dar um sinal de mudança, como a oposição tem reclamado, e assim cativar apoiantes para a sua lista, dando um passo rumo à paz por si desejada no clube. Nesse sentido, o CM sabe que está perto um acordo entre Rui Costa e o movimento ‘Benfica Bem Maior’.

Momentos do jogo
30’
Vertonghen, encostado à esquerda, faz um passe rasteiro que rasga a defesa vitoriana e deixa Yaremchuk na cara de Trmal. O ucraniano pica a bola sobre o guardião para o primeiro golo do jogo.

41’
Borevkovic perde a bola de forma infantil ao sair a jogar. Grimaldo solicita Rafa, que isola Yaremchuk. O ‘15’ encarnado não marca à primeira, mas concretiza na recarga, com desvio em Mumin.

73’
Corte de cabeça de Vertonghen a deixar a bola em Rafa, que acelera numa transição até à área contrária. Passe para João Mário e remate deste para golo, com toque de Mumin pelo meio.

Rafa passa, Yarem... chuta
Odysseas –
Defesas de nível reduzido de dificuldade e boas saídas da baliza.
Lucas Veríssimo –
Dificuldades em segurar Edwards. Cometeu o penálti do 1-3.
Otamendi –
Em grande. Cortes fantásticos aos 14’, 54’ e nos descontos. Amarelo por demorar a reposição da bola.
Vertonghen –
Excelente jogo. Assistência para o primeiro golo de Roman. Está também no 0-3, ao iniciar o contra-ataque de Rafa Silva.
Lázaro –
Também se viu apertado com Edwards, mas sem danos. Competente.
Weigl –
Comandou a pressão alta e manteve a equipa equilibrada, apesar da má entrada no segundo tempo.
João Mário –
A consciência em forma de jogador de futebol. Geriu a posse de bola e ainda marcou o terceiro.
Grimaldo –
Importante nas ações ofensivas, com impacto direto na recuperação de bola que termina no segundo golo.
Rafa –
Impressionante. Tanto em ataque organizado, como nas suas arrancadas, partiu a defesa vitoriana. Duas assistências para golo.
Darwin –
Decisivo na companhia a Roman, mas com decisões infelizes, incluindo na hora de rematar.
Pizzi –
Entrou para retirar posse de bola ao Vitória.
Meité –
Não segurou o ímpeto final dos vimaranenses.
Gedson –
Desposicionado no lance que dá penálti.
Everton –
Pouco tempo.
Gil Dias –
Igual.
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