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Correio da Manhã

Desporto
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Chiquinho acorda Águia frente ao Santa Clara

Exibição baça do Benfica, num jogo em que beneficiou de um autogolo para chegar ao intervalo em vantagem.
Mário Pereira e Filipe António Ferreira 27 de Abril de 2021 às 01:30
Chiquinho, ‘apertado’ por Costinha, acabou por marcar o golo que deu a vitória   aos encarnados
Chiquinho, ‘apertado’ por Costinha, acabou por marcar o golo que deu a vitória aos encarnados FOTO: Reuters
Um remate enquadrado na baliza do Santa Clara, dois golos. Maior eficácia seria difícil. O Benfica saiu esta segunda-feira do relvado da Luz com uma vitória mínima num jogo em que quase passou pelas brasas, tão indolente foi a sua exibição. Acabou salvo pela entrada de Chiquinho, a meio da segunda parte, e numa altura em que o resultado estava (injustamente) em 1-1. O médio-ofensivo das águias agitou, deu (finalmente) sentido ofensivo à sua equipa e foi do seu pé direito que saiu o primeiro remate como deve ser à baliza açoriana, que colocou o resultado em 2-1. Estavam decorridos 73 minutos de jogo.

O Santa Clara surgiu na Luz a jogar de forma desinibida, reflexo claro da posição tranquila que ocupa na tabela classificativa. Adiantou linhas, colocou pressão na saída de bola do Benfica e com isso surpreendeu o seu adversário. Merecia mais, mas foi traído aos 26 minutos por um azar do seu número 13, o avançado Carlos Júnior, melhor marcador da equipa. Marcou, mas na baliza errada, com um desvio de cabeça que tentava ser um corte ao cruzamento de Everton.

O brinde do Santa Clara não entusiasmou o Benfica, que continuou a jogar um futebol previsível e desinspirado. Ao intervalo, o resultado era injusto para o Santa Clara, que jogava de peito aberto e a procurar sempre a baliza de Helton Leite.

Após o intervalo, o jogo inclinou. O Benfica caiu ainda mais, preguiçou ao limite, e assistiu à cavalgada dos açorianos, rumo ao empate. Quando estes chegaram ao golo, a única surpresa foi ele ter demorado tanto tempo a acontecer. Anderson Carvalho finalizou sem apelo num lance em que Otamendi fica mal visto.

Apareceu então Chiquinho, recém-entrado. Viu-se finalmente alguma dinâmica no jogo dos encarnados. Algo que não abona nada em favor de Pizzi, o sacrificado para a entrada daquele que viria a ser o homem do jogo. Não passou do oito ao oitenta, a produção do Benfica, mas o meio termo foi suficiente para criar situações de desequilíbrio, que até aí não se tinham visto. Foi precisamente num lance de desequilíbrio que o Benfica chegou à vantagem. Rafa acelerou, Diogo Gonçalves cruzou e Chiquinho, outro não poderia ser, surgiu no espaço a rematar de primeira, em zona frontal, para o fundo da baliza do Santa Clara. Vitória assegurada com o único remate enquadrado à baliza açoriana.

Análise ao jogo
Positivo: Santa Clara merecia mais
Excelente a atitude da equipa açoriana. Foi quase sempre mais intencional, colocou a defesa do Benfica em permanente sobressalto e obrigou Helton Leite a estar sempre em jogo. Merecia levar qualquer coisa deste jogo no Estádio da Luz.

Negativo: Tanta gente a dormir
Vários jogadores do Benfica passaram ao lado deste jogo. Sobretudo os que tinham a obrigação de criar e desequilibrar. Pizzi terá sido o expoente máximo da ineficácia, mas também Seferovic, Everton e Rafa (tirando o lance do 2-1) estiveram ‘de folga’.

Arbitragem: Deixar jogar sim, mas...
O árbitro Hélder Malheiro usou um critério largo e quis deixar jogar. Mas teve alturas em que foi longe de mais na boa intenção. Assim, ficaram faltas por marcar e até cartões por mostrar. Outra falha: por vezes, demorou demasiado tempo a apitar.

"Vitória difícil mas merecida"
"Vitória difícil, mas merecida. Sabíamos que este jogo ia ser difícil ", disse Jorge Jesus. O treinador da equipa do Benfica explicou depois a ausência de Taarabt deste jogo e do seguinte. "Está na altura do Ramadão e os jogadores muçulmanos fazem o jejum e não há milagres."

Análise aos jogadores: Banco contra o sofrimento
Chiquinho - Entrou e o Benfica passou a ter mais acerto com bola. Boas decisões deixaram a equipa mais perto do golo. E foi dele, no sítio certo, o 2-1 final, num jogo muito fraco das águias.
Helton Leite – Quatro defesas importantes mantiveram a águia ligada ao triunfo.
Lucas Veríssimo – Foi quase sempre o pronto-socorro nas descidas de Diogo Gonçalves pelo seu flanco.
Otamendi – Cryzan deu muito trabalho. Ganhou mais bolas do que aquelas que perdeu, mas falhou no lance do golo açoriano.
Vertonghen – Muitas dificuldades para travar as investidas do Santa Clara.
Diogo Gonçalves – Um grande cruzamento, que Seferovic desperdiçou, e outro, este, sim, perfeito, para o 2-1.
Grimaldo – Defensivamente passou por apuros. Quando passava o meio-campo tentava vários desequilíbrios.
Weigl – Entrou faltoso. Pareceu algo preso de movimentos e não foi o tampão no miolo que o Benfica precisava.
Pizzi – Não mostrou andamento para equilibrar as forças no meio-campo açoriano. No apoio ao ataque desperdiçou uma ocasião flagrante.
Rafa – Pouco em jogo. Das únicas vezes que impôs velocidade resultou o 2-1.
Everton – A jogada individual que resultou no 1-0 foi a única coisa de positiva que fez até ser sido substituído.
Seferovic – Voltou a falhar de forma clara (duas vezes), quando só tinha Marco pela frente.
Darwin – Uma arrancada fulgurante, mas na hora de rematar preferiu a assistência.
Pedrinho – Agitou com um remate perigoso.
Gilberto – Cumpriu.
Waldschmidt –Pouco tempo.
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