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Correio da Manhã

Desporto

Dragão de peito feito vence Sp. Braga por 4-1

Taremi foi um verdadeiro diabo à solta no Dragão e fez desmoronar a estratégia de Artur Jorge.
Mário Figueiredo, Filipe António Ferreira e Luís Oliveira 1 de Outubro de 2022 às 01:30
Al Musrati e Taremi, com Vitinha a assistir
Al Musrati e Taremi, com Vitinha a assistir FOTO: EPA
O FC Porto entrou de peito feito e derrotou o Sp. Braga, por 4-1, alcançando os bracarenses no segundo lugar da Liga e reduzindo a diferença para o líder Benfica (joga hoje em Guimarães) para apenas dois pontos.

Num jogo importante para as duas equipas, cedo se percebeu o respeito mútuo. A batalha constante no meio-campo impedia que qualquer equipa construísse lances de perigo. O músculo prevalecia face ao talento. Notava-se a preocupação constante em não errar. Esperava-se mais do Sp. Braga, que chegou ao Dragão invicto, mas o FC Porto não facilitou. Com um futebol descomplicado foi anulando as ofensivas dos bracarenses.

Sempre que a bola chegava a Taremi, chegavam os sobressaltos para a defesa forasteira. Mas só a partir da meia hora o dragão se desinibiu e foi com tudo à procura do golo. E este chegou por Evanilson. Não foi de cabeça, nem foi com os pés, foi de peito. Taremi arrancou em direção à baliza, mas Matheus defendeu para a frente, com Eustáquio a recuperar a bola e a colocá-la ao segundo poste, onde apareceu o brasileiro para empurrar a bola para a baliza.

O golo desmoronou por completo a estratégia de Artur Jorge para este jogo, pois dois minutos volvidos, Eustáquio já festejava o segundo golo portista, após assistência de Pepê.

Os bracarenses acabaram por reagir, após uma saída descabida de Diogo Costa, com Iuri Medeiros a contornar o guardião portista, mas a rematar ao lado.

Mas foram os dragões que podiam ter ampliado a vantagem, numa jogada de contra-ataque, mas desta vez Bruno Costa permitiu a defesa de Matheus.

Na etapa complementar, os bracarenses entraram mais perigosos. O primeiro aviso foi dado por uma bomba de Ricardo Horta, mas a bola bateu com estrondo na trave. Estava dado o aviso e não foi preciso esperar muito para que os portistas vissem a vantagem reduzida, devido a um autogolo de Pepe. O central tentava anular um cruzamento de Victor Gomez e introduziu a bola na sua baliza. Mas havia um diabo à solta no Dragão: Taremi. O avançado iraniano arrancou em direção à baliza, fez um túnel a Tormena e ofereceu o golo numa bandeja a Pepê. Mas foi Galeno quem estabeleceu o resultado final: 4-1. Triunfo justo.

Taremi apoia jogador detido no Irão
Taremi, jogador do FC Porto, apoiou nas redes sociais um antigo internacional iraniano, Hossein Mahini, que está detido no Irão por ter defendido o direito de as pessoas se manifestarem, no seguimento dos protestos após a morte de uma jovem de 22 anos, acusada de usar mal o ‘hijab’.

Análise ao jogo
Positivo: Taremi está em todas
Taremi iluminou o Dragão. Ficou em branco no marcador, mas teve um papel ativo nos três golos do FC Porto. No terceiro faz um túnel a Tormena e assiste Pepê. Taremi não precisou de se atirar para o chão para fazer tombar os bracarenses.

Negativo: Apagão bracarense
O Sp. Braga tem esta bipolaridade. Ora apresenta um futebol fluido e dominador, ora tem uns apagões. Foi o que aconteceu esta sexta-feira no Dragão. Ficou abalado com o 1-0 aos 32’ e dois minutos volvidos estava a sofrer o segundo. Falta regularidade.

Arbitragem: Arbitragem segura
Artur Soares Dias teve uma arbitragem segura e positiva, num jogo sem casos relevantes. O juiz portuense esteve bem no capítulo disciplinar e cumpriu as regras quando expulsou Matheus, que travou em falta (fora da área) o iraniano Taremi.

Análise aos jogadores
FC Porto
Taremi - O internacional iraniano fez um jogo tremendo em termos coletivos. Participou nos três golos que festejou de forma excessivamente comedida. 
Diogo Costa – Saída em falso aos 45’ e passivo no golo sofrido. Amarelo por antijogo.
Rodrigo Conceição – Quis fazer as coisas bem, boas arrancadas e centros na direita.
Pepe – Entre o muito que fez bem e o autogolo, jogo globalmente positivo.
David Carmo – Impôs o cabedal pelo ar. Cometeu erros de cálculo a atacar a bola.
Wendell – Tentou dar vida ao lado esquerdo, subindo com critério. Bem a defender.
Bruno Costa – Cumpriu no meio-campo a três, descaído para a direita. Bom jogo.
Eustáquio – Assistiu para o 1-0, marcou o 2-0 e realizou um jogo a muito alto nível.
Mateus Uribe – Menos preponderante do que o normal, perdas de bola pouco habituais para a sua categoria.
Pepê – Determinante a desmarcar-se e a assistir no 2-0. Bem em todo o lado direito.
Evanilson – Inaugurou o marcador de peito. Deu muito trabalho aos adversários.
Otávio – Para ganhar ritmo para o que aí vem.
Galeno – Fez o 4-1 quase sem querer. Não festejou.
Grujic – Para defender a equipa e o resultado.
Zaidu – Pouco em jogo.
Veron – Sem tempo.

Sp. Braga
Al Musrati - Não foi o habitual tampão nem o habitual fio condutor do jogo minhoto. Ainda assim melhorou após o descanso, tentando encontrar as melhores soluções para os colegas.  
Matheus – Boa defesa a remate de Bruno Costa. Expulsão desnecessária.
Fabiano – Dificuldades perante Pepê. Amarelo condicionou e foi substituído.
Tormena – Esteve envolvido na apatia dos minhotos nos três golos.
Niakité – Estava a ter uma noite tranquila quando a avalancha do FC Porto começou.
Sequeira – Permitiu várias descidas pelo seu flanco.
André Horta –Perdeu uma bola comprometedora. Sem chama e complicativo.
Iuri Medeiros – Foi dele a melhor chance para marcar no 1º tempo. Viu-se mais em missões defensivas.
Ricardo Horta – Primeira parte muito apagada. Melhorou após o intervalo. Atirou uma bola à barra e esteve no lance do 2-1.
Vitinha – Lutou, mas sem resultados.
Banza – Não teve espaço nem jeito.
Racic – Lentidão e muitos passes falhados.
Victor Gómez – Entrou com vontade.
Ruiz – Nada acrescentou.
Djaló – Atrevido.
– Defesa difícil.
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