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Correio da Manhã

Desporto
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Leão de raça eficaz na caça ao título: Sporting vence ao Sp. Braga

Gonçalo Inácio foi expulso (18’) e a equipa de Rúben Amorim sofreu para travar a avalanche ofensiva do Sp. Braga.
Mário Figueiredo e Filipe António Ferreira 26 de Abril de 2021 às 09:00
Matheus Nunes entrou ao intervalo e na única chance dos leões fez o golo que deu a vitória
Matheus Nunes entrou ao intervalo e na única chance dos leões fez o golo que deu a vitória FOTO: PEDRO NUNES/REUTERS

Um golo de Matheus Nunes (81’) no primeiro e único remate à baliza valeu este domingo um triunfo épico do Sporting sobre o Sp. Braga, num jogo que pode impulsionar os leões definitivamente para o título, quando faltam cinco jornadas do final da Liga.

Num jogo aberto com as duas equipas a procurarem o golo, foram os bracarenses que assumiram as rédeas da partida. Galeno foi um quebra-cabeças e todo o jogo ofensivo dos anfitriões foi canalizado pelo lado esquerdo. Sob pressão, Gonçalo Inácio teve de recorrer à falta. Viu dois amarelos e acabou expulso logo aos 18 minutos.

A tática dos leões sofreu um duro revés. A equipa encolheu-se e defendeu numa linha de cinco defesas e quatro médios. Prescindiu praticamente de atacar, com Nuno Santos a lateral-esquerdo e Paulinho e Pedro Gonçalves a auxiliarem o meio-campo. Os bracarenses subiram linhas e continuaram a explorar a velocidade de Galeno e o remendo leonino na defesa após a saída de Gonçalo Inácio. Nos lances mais perigosos da equipa de Carlos Carvalhal, através de um cabeceamento de Fransérgio (38’) e um remate quase à queima-roupa de Galeno (39’), brilhou Adán com duas defesas de elevado nível de dificuldade.

Na etapa complementar, os leões voltaram a remeter-se a tarefas defensivas. Defendeu com todos e todos pareciam poucos para travar a avalanche ofensiva dos bracarenses. Galeno visou sempre que pôde a baliza leonina, mas a noite era de Adán. Um leão não prescinde de caçar. A única forma de chegar à baliza adversária era de bola parada. Tiago Tomás sofreu uma falta e Porro foi lesto em colocar a bola nos pés de Matheus Nunes. O médio recém-entrado correu com a bola e rematou de primeira para o fundo da baliza de Matheus. Um banho de água fria para os bracarenses, que dominaram sempre a partida. O leão revelou eficácia na caça dos pontos e sobreviveu a uma batalha dificílima na luta pelo título. Para já tem 7 pontos de vantagem sobre o FC Porto, que joga esta segunda-feira em Moreira de Cónegos.

Análise
Matheus Nunes, o herói
+ Matheus Nunes saltou do banco e voltou a ser o herói do Sporting. O médio leonino parece talhado para fazer golos nos grandes jogos. Foi o autor do golo frente ao Benfica e voltou a marcar aos bracarenses. 

Precipitação de Inácio
- O jovem defesa-central leonino de 19 anos revelou grande precipitação no segundo cartão amarelo. Já tinha sido admoestado (10’) por uma falta sobre Gaitán e, aos 18’, travou Galeno. Palhinha estava por perto.

Arbitragem com... casos
A arbitragem de Artur Soares Dias teve casos. Benefício da dúvida no segundo amarelo a Gonçalo Inácio, quando havia mais jogadores por perto. A falta sobre Tiago Tomás que dá o golo de Matheus Nunes parece não ter existido. O VAR não podia intervir neste lance. Bem ao mandar jogar quando Coates pediu penálti.

Galeno luta contra muralha invencível
Matheus –Surpreendido no remate forte de Matheus Nunes. Podia ter feito melhor.
Esgaio – Tentou várias diagonais no ataque. Quase sempre em fora de jogo.
Tormena – Sem erros, o brasileiro teve uma prestação de nível diante de Paulinho, um antigo companheiro de equipa.
Raul Silva – Dois cortes importantes que adiaram o golo dos visitantes. Importante.
Sequeira – Primeiro como central e depois como lateral. No lado e no outro mostrou estar ao nível da importância do jogo para os minhotos.
Castro – Uma formiguinha no meio-campo minhoto. No ataque teve chances para visar a baliza mas preferiu sempre o passe lateral.
Fransérgio – Um excelente cabeceamento a que Adán correspondeu. Importante nos duelos no miolo, deixou Matheus Nunes fugir no 0-1.
Gaitán – O mágico teve alguns bons pormenores. Muitas variações de flanco, mas faltou-lhe objetividade.
Ricardo Horta – Mais apagado do que o habitual. Um remate apenas que Coates cortou e outro ao lado. Pouco.
Abel Ruiz – Muita luta diante dos centrais contrários.
Al Musrati – Entrou e rematou com perigo.
André Horta – Deu frescura ao meio-campo, mas pouco mais acrescentou.
Piazón – Não trouxe nada de novo à equipa.
Borja – Não comprometeu. Tentou vários cruzamentos.
Rui Fonte – Sem bola.

Galeno 
Um dos mais perigosos. Um pulmão inesgotável que deu que fazer a Porro. Teve uma enorme chance, mas atirou à figura no primeiro tempo. No segundo, até ter pernas, voltou a enfrentar Adán, que deixou o leão imbatível.

Coates e Adán seguram antes da estocada
Adán – Três enormes defesas no período dominador do Sp. Braga. Decisivo depois do frango no último jogo.
Gonçalo Inácio – Para esquecer. Levou dois amarelos para tentar corrigir erros que ele próprio cometeu. Prejudicou toda a estratégia de Rúben Amorim.
Feddal – Mais discreto do que Coates. Ainda assim teve uma prestação que não comprometeu.
Porro – Duelo intenso com Galeno. Perdeu e ganhou bolas, mas no ataque pouco ou nada se viu.
Nuno Mendes – Mudou três vezes de posição. Competente a defender e perigoso nas descidas ofensivas.
João Palhinha – Muita luta. Melhorou no segundo tempo e ajudou como pôde a sua linha defensiva.
João Mário – Tentou ajudar mas quase sempre sem sorte.
Nuno Santos – Regresso ao onze. Obrigado a descer, não esteve mal como lateral, mas também não se destacou.
Pedro Gonçalves – Correu e lutou muito quando a equipa passou a jogar com 10. Chegou atrasado na melhor chance leonina no 1º tempo.
Paulinho – Antes de ficar ainda mais isolado em campo teve a melhor situação de golo, mas o cabeceamento saiu ao lado.
Matheus Nunes – Explosão no golo que deu a estocada final. Voltou a fazer a diferença num jogo entre grandes.
Neto – Cumpriu.
Matheus Reis– Competente.
Tiago Tomás – Ganhou a falta que viria a dar o 0-1.
Plata – Segurou.

Coates
O esteio da defesa leonina (mais uma vez). Esteve sereno e sempre no caminho da bola. Vários cortes decisivos evitaram golos minhotos. O capitão manteve a cabeça fria e ajudou os colegas num jogo estoico.

Rúben Amorim cauteloso
Rúben Amorim ficou naturalmente satisfeito com o triunfo, mas mostrou-se cauteloso com o que falta jogar. "Soubemos sofrer e defender num bloco baixo. Conseguimos fazer o golo e ganhar o jogo. Sabemos que estamos no fim, que há pressão, mas temos de saber sofrer. Sabemos que podemos ganhar em qualquer campo... mas também perder. Já perdemos muitos pontos. Quando estivermos a três pontos do título seremos candidatos", disse.

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