Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

Clubes fundadores da Superliga europeia atacam "pressões" da UEFA após ameaça com sanções

Clubes instam a UEFA e a FIFA a sentarem-se à mesa "para debater as soluções mais apropriadas para a sustentabilidade de toda a família do futebol".
Correio da Manhã e Lusa 8 de Maio de 2021 às 10:26
Real Madrid, Barcelona e Juventus responderam em comunicado conjunto à UEFA acerca da criação da Superliga europeia, este sábado.

Os clubes defendem a criação da prova, apesar de todas as ameaças e de nove das equipas fundadoras terem recuado na decisão.

Os espanhóis e italianos defendem que " para honrar a nossa história, cumprir com as nossas obrigações para com os nossos adeptos, pelo bem do futebol e para a sustentabilidade financeira do setor, temos o dever de agir de forma responsável e perseverar na procura de soluções adequadas, apesar das pressões e ameaças inaceitáveis e contínuas da UEFA".

Os clubes instam a UEFA e a FIFA a sentarem-se à mesa "para debater as soluções mais apropriadas para a sustentabilidade de toda a família do futebol".

Os nove 'arrependidos', os ingleses do Manchester City, Liverpool, Chelsea, Manchester United, Tottenham e Arsenal, os italianos do AC Milan e Inter de Milão e os espanhóis do Atlético de Madrid aceitaram uma série de "medidas de reintegração", incluindo renunciar a 5% do rendimento proveniente de uma época nas competições europeias.

Paralelamente, vão doar, em conjunto, um total de 15 milhões de euros, transformados em doações a "comunidades locais" do futebol europeu.

"Ao aceitarem os seus compromissos e a sua vontade de reparar a perturbação que causaram, a UEFA quer deixar este capítulo para trás e avançar com um espírito positivo", afirmou o presidente do organismo regulador, Aleksander Ceferin.

O líder da UEFA advertiu que "o mesmo não pode ser dito dos [três] clubes que continuam envolvidos na chamada Superliga", situação que, vincou, "a UEFA tratará em conformidade", sem especificar quais as eventuais punições.

Os três 'resistentes' manifestaram "tristeza por ver os amigos a parceiros fundadores da Superliga encontrarem-se em posição tão inconsistente e contraditória", na sequência do acordo assinado com a UEFA.

Real Madrid, FC Barcelona e Juventus são os fundadores que insistem na concretização do projeto privado e concorrente da Liga dos Campeões e arriscam a sanções mais pesadas, estando a situação a ser analisada pelos órgãos disciplinares da UEFA.

Os nove clubes dissidentes poderão participar nas competições da UEFA para as quais se qualifiquem e comprometeram-se a pagar uma multa de 100 milhões de euros se, no futuro, pretenderem participar numa prova "não autorizada" pelo organismo que gere o futebol europeu.

Este grupo regressa também à Associação Europeia de Clubes, o único organismo representativo reconhecido pela UEFA, depois do afastamento na sequência do anúncio efetuado em 18 de abril, da criação de uma competição anual com 20 equipas, na véspera de ser revelado o formato competitivo da Liga dos Campeões a partir da época 2024/25.

O anúncio abalou o futebol europeu e as manifestações de repúdio foram quase unânimes - desde clubes, adeptos, futebolistas, treinadores e dirigentes a responsáveis políticos - e fizeram com que, após 48 horas, já só o Real Madrid, que preside à Superliga, FC Barcelona e Juventus se mantivessem no projeto.

UEFA Real Madrid Barcelona e Juventus Superliga Superliga desporto futebol
Ver comentários