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Correio da Manhã

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Atleta olímpica bielorrussa que recusou viajar para casa parte em direção a Viena

Krystsina Tsimanouskaya foi forçada a abandonar o Jogos Olímpicos depois de críticas à federação. Opositora do regime político da Bielorrússia sente insegurança no país.
Rafael Grau e Daniela Vilar Santos 4 de Agosto de 2021 às 18:32
Krystsina Tsimanouskaya viajou para Viena
Krystsina Tsimanouskaya
Krystsina Tsimanouskaya  (à esquerda) diz que teme pela sua vida se for obrigada a regressar à Bielorrússia, e ontem pediu asilo na embaixada da Polónia em Tóquio
Krystsina Tsimanouskaya viajou para Viena
Krystsina Tsimanouskaya
Krystsina Tsimanouskaya  (à esquerda) diz que teme pela sua vida se for obrigada a regressar à Bielorrússia, e ontem pediu asilo na embaixada da Polónia em Tóquio
Krystsina Tsimanouskaya viajou para Viena
Krystsina Tsimanouskaya
Krystsina Tsimanouskaya  (à esquerda) diz que teme pela sua vida se for obrigada a regressar à Bielorrússia, e ontem pediu asilo na embaixada da Polónia em Tóquio

A velocista bielorrussa, Krystsina Tsimanouskaya, partiu de Tóquio esta quarta-feira rumo a Viena, na Áustria, menos de 72 horas depois de recusar voltar ao seu país-natal.

Após duas noites na Embaixada da Polónia em Tóquio, atleta olímpica de 24 anos tinha Varsóvia como primeiro destino, depois de receber um visto humanitário da Polónia, mas viajou num voo para Viena por razões de segurança, tendo em conta as adversidades em que está envolvida com o governo da Bielorrússia.

Atleta envolvida em críticas ao regime político na Bielorrússia

A ‘sprinter’ olímpica dos 100 metros participou nos Jogos Olímpicos de Tóquio e foi forçada pelo governo da Bielorrússia a abandonar a competição após ter criticado a sua equipa técnica e federação olímpica nas redes sociais, no passado dia 30 de julho, por ter sido incluída na prova de estafeta 4x400 metros, quando inicialmente deveria competir nos 100 metros e nos 200 metros e pelo facto de outros atletas não terem realizado, segundo a sua versão, o número suficiente de controlos antidoping.

O Comité Olímpico Bielorrusso terá informado que a atleta deixara a competição "por decisão dos médicos, devido ao seu estado emocional e psicológico". Declaração que foi desmentida pela desportista no aeroporto da capital japonesa.

O incidente ocorreu numa altura em que o regime do presidente Alexander Lukashenko se empenha na repressão sobre os opositores para manter a estabilidade política e se candidatar a um quinto mandato na Bielorrússia. O governante está no poder desde 1994 e, em 2020, foi reeleito, o que motivou uma forte onda de protestos contra o político.

Krystsina Tsimanouskaya é ainda uma das personalidades do desporto bielorrusso que assinaram uma carta aberta, pedindo novas eleições no país e a libertação dos presos políticos.

A opressão e o medo levaram a jovem de 24 anos a pedir ajuda à polícia japonesa e ao Comité Olímpico Internacional (COI), esta segunda-feira, através de uma entidade de apoio aos atletas presos ou marginalizados por serem contra o regime de Lukashenko – Fundação de Solidariedade Desportiva da Bielorrússia.

O COI e a organização responsável pelos Jogos de Tóquio reagiram de imediato, de forma a proteger a atleta que participou na qualificação dos 100 metros femininos (terminou na quarta posição da sexta eliminatória). A onda de solidariedade para com Krystsina Tsimanouskaya cresceu rapidamente, com a República Checa a oferecer-lhe um visto humanitário, assim com a Polónia e a Áustria, para onde acabou por viajar, esta quarta-feira.

Antes de deixar o Japão, Krystsina Tsimanouskaya disse que esperava poder continuar a carreira de atleta, mas que a segurança é a sua primeira prioridade.

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