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Correio da Manhã

Domingo
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A imaginação ao serviço da vingança

Tarantino realizou Kill Bill. Agora fez um Kill Hitler. ‘Sacanas sem Lei’ desenrola-se num mundo paralelo no qual uma brigada de heróis sem escrúpulos ameaça a Alemanha Nazi, mudando a História da II Guerra Mundial. São patifes com os quais a maioria se identifica, já que hoje (quase) todos condenam as monstruosidades de Hitler. Cujo destino neste filme cumpre o desejo retroactivo de muitos.

Joana Amaral Dias 6 de Setembro de 2009 às 00:00
A imaginação ao serviço da vingança
A imaginação ao serviço da vingança

O autor de ‘Sacanas sem Lei’ acredita no imaginário do cinema, travando aí as suas batalhas. Enquanto Spielberg e Lucas actualizaram o cinema de género (aventuras, ficção científica, guerra), este cineasta reciclou a história dos subgéneros. Uns crêem no sistema. Outros, como Tarantino, acreditam no lixo do sistema. Ainda que num lixo de luxo. ‘Sacanas Sem Lei’ pode ser apreciado por não-cinéfilos.

Mas, considerando a catadupa de citações (desde a banda sonora de filmes antigos até a estilo western spaghetti), é impossível assistir a esta longa-metragem sem lembrar outras. Como ver, então, este filme que mistura guerra e ficção científica, terror cómico e fetichismo pelo celulóide? Esquecendo que o cineasta é Tarantino, sobra o quê? Um cinema nostálgico com humor? ‘Sacanas sem Lei’ é uma sucessão de quadros de equilíbrio instável. As cenas com Landa, o perturbantemente empático mata-judeus, são magnéticas- mesmo se o suspense se prolonga (como em Leone ou de Palma). Porém, na Paris ocupada, os protagonistas são clichés.

As ideias cinéfilas como o nitrato explosivo e o soldado-crítico de cinema tanto fazem o filme como o amaldiçoam. Servem o argumento mas travam intriga. Como é fácil dizer mal, o Bom da Fita não segue a tradicional crítica de cinema, preferindo dedicar-se ao melhor de cada filme. Mas é impossível não fazer o papel convencional ao escrever sobre Tarantino. Ele, com a sua ambição, talento e vaidade, está mesmo a pedi-las. Fica a excepção.

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