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Correio da Manhã

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O FIM DE UMA RAÇA

Poucas mulheres resistem a um homem rico, galanteador e ‘cheio de jogo’. No ano em que a revista ‘Playboy’ comemora 50 anos de vida, fomos à procura, em Portugal, daqueles que melhor correspondem ao papel que deu o nome à revista: o de conquistador felino e infalível
24 de Janeiro de 2003 às 20:06
A sedução é a arma preferida e a mulher o troféu mais desejado. Mas, quando a ‘presa’ cede aos seus encantos, outra se lhe seguirá na agenda. A preferência dos ‘playboys’ vai para as loiras ou então para uma ‘morenaça’ com as medidas certas. Manequins e apresentadoras lideram.

Galãs? Sedutores natos? Que chamar a estes homens com uma colecção de namoradas famosas? E quem são eles? No ano em que a revista ‘Playboy’ comemora 50 anos de vida (Dezembro de 2003), fomos à procura, em Portugal, daqueles que melhor correspondem ao papel que deu o nome à revista: o de conquistador felino e infalível. E o vencedor, a crer nos muitos depoimentos que recolhemos, é Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Mas, sem grandes exercícios de memória, é fácil fazer uma lista mais completa, composta por jogadores de futebol, apresentadores de TV ou cantores. Ao autarca lisboeta juntam-se o fadista Nuno da Câmara Pereira ou o apresentador Pedro Miguel Ramos, que admite ser um “conquistador a todos os níveis”.

O rol podia continuar, por longas linhas, e nele figurariam o empresário Luís Norton de Matos, que já vai no terceiro casamento – desta vez com uma mulher 20 anos mais nova – e o ex-futebolista Jorge Cadete, que também contraiu matrimónio duas vezes e agora namora a bela Nicole. No cinema é impossível não falar do irreverente Rogério Samora, que tão bem desempenhou o papel de marialva português no filme “O Delfim”.

VIRARAM INTELECTUAIS DE ESQUERDA

“Já não há ‘playboys’.Eram homens fantásticos. Tinham os seus jactos particulares, os seus iates. Mimavam as mulheres com prendas caríssimas, viagens fantásticas, vestidos fabulosos, diamantes. Levavam-nos a tomar o pequeno-almoço em Paris e a jantar em Nova Iorque… Enfim, estes homens cediam a todos os caprichos da mulher” recorda, com saudade, Lili Caneças, prosseguindo: “Em Portugal não vejo mesmo nenhum, mas a haver, digamos que os ‘playboys’ viraram os intelectuais de esquerda de hoje”.

Sublinhando que “os homens portugueses são muito bonitos e têm muito charme – e neste contexto refere o nome do médico Manuel Pinto Coelho – Lili avança com os nomes de outros sedutores de ‘gema’: “O Pedro Santana Lopes continua a ser um sedutor e o Miguel Sousa Tavares, apesar de estar a envelhecer mal, é o rei do charme. É uma mente brilhante, vai ter charme a vida toda, mas os seus traços fisiológicos estão muito envelhecidos”.

A ‘nossa’ mega-colunável recorda a sua juventude. “Na minha época, um dos homens com que as mulheres sonhavam era o actor Marcelo Mostroianni. Conheci-o numa festa e era lindíssimo”, conta, ressalvando: Estes homens eram misógamos, pensavam que amavam as mulheres mas amavam-se era a si próprios”. Então e as prendas fabulosas que ofereciam?: “Era tudo ‘show-off’. Veja-se o caso do Onássis. Ele era violento com as mulheres. No entanto, ao oferecer uma pedra preciosa numa ostra, fazia com que a eleita se sentisse feliz e única”.

Está mais que visto que Lili sabe do que fala. Namorou com um “playboy” durante cinco anos e depois casou-se com outro: “Ofereceu-me o mundo numa bandeja e acredito que me tenha amado. Estive casada com o Álvaro Caneças 17 anos e ele simbolizou tudo o que se diz sobre o verdadeiro ‘playboy’”, recorda. “Era um homem lindo, cheio de charme, que satisfez todos os meus caprichos. Era luxo de mais, conforto em excesso. Tive tudo e por nada tive de lutar”. Um sonho de vida, com um final pouco feliz. “Tinha uma vida superpreenchida pelo supérfluo mas não conhecia realmente o homem que tinha a meu lado…”, lamenta.

Depois de Álvaro, Lili nunca mais encontrou outro “playboy”. Talvez por isso, prefere “estar sozinha, a mal acompanhada, ao contrário do que Amália dizia”.

UNS APRENDIZES

A não menos ‘famosa’ Cinha Jardim jura que não conhece nenhum homem a quem se possa chamar, com legitimidade, ‘playboy’. Ainda assim, refere-se ao ex-marido e pai das sua duas filhas – , Raul Leitão, com quem esteve casada 14 anos – como um “verdadeiro galã.

E Pedro Santana Lopes? (arriscámos). “Ah! Não. Não quero falar dessa pessoa. Esse é um insatisfeito. Mas posso dizer que o Virgílio Castelo, um grande amigo meu, pode ser o galã com que algumas mulheres sonham”, atira, fugindo claramente ao seu romance com o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que como se sabe acabou mal. Em matéria de sedutores, Cinha refere o milionário José Pereira Coutinho – “um homem de 46 anos com um grande charme” – e, simpaticamente, o amigo Pedro Miguel Ramos: “É um menino bonito, que pode, de facto, simbolizar um sedutor. Tem um grande charme e é uma pessoa extremamente bem formada e educada”.

No mundo da bola, não vê nada que lhe agrade. Mário Jardel, por exemplo, cujo nome atrai algum ‘mulherio’, parece-lhe deslocado neste tema. “Não. Ah! Coitado! O Jardel é um fracassado nesse aspecto, admiro-o apenas como um homem do futebol”. Mas afinal, “há ainda o Luís Norton de Matos, que podia ser o ‘playboy’ perfeito, embora esteja há quatro anos com a Joana. A verdade é que ele entra em qualquer lado, sempre com o seu ar bronzeado, elegante e passa bem por um milionário…”.

A ‘tia’ mais querida dos portugueses atribui o interesse das mulheres por estes ‘exemplares’, ao gosto pelo risco e pelo desafio de dominar um homem destes. “Deixam-se seduzir pela fama e pelo poder, julgam que os conquistam. Eu própria pensei que conseguia”. Estará a referir-se ao ‘tio’ Pedro? Cinha ri-se e admite: “Ai eu não quero falar dele, mas sim, estou”.

E que qualidade reconhece nos sedutores para terem tanto sucesso com o sexo oposto? “São homens que andam à procura da mulher ideal e que têm acesso a lugares mais restritos. E depois têm muita conversa… Às vezes mais vale uma mentira bonita, do que a crueldade da verdade”.

É claro que as mulheres não são santas nenhumas nesta história. “Muitas também não se querem envolver, outras pensam que podem mudar homens deste carácter, tal como eu pensei ...”. [Falará outra vez de Pedro Santana Lopes? ] “Não quero falar disso mas, de facto, até certo ponto ele [Pedro] modificou-se. Só que a exigência era tão grande que, entretanto, desisti”.

‘Lady’ na mesa, LOUCA NA CAMA

Aos 44 anos, Rogério Samora gosta “mais de ser seduzido, do que seduzir” mas não se considera um sedutor por natureza . O actor diz que “vivemos uma época de desamor” porque “o amor precisa que a ele nos dediquemos, e nós fugimos com a desculpa de que não temos tempo...”.

O homem que afirma ser “feliz, às vezes” não tem um padrão de mulher perfeita, mas não gosta delas muito bonitas nem loiras: “Prefiro uma morena de pele branca, e de preferência com sardas”. Além disso, dificilmente resiste a “uma mãe no sofá e uma louca na cama”, alguém que goste de o ouvir, de o acarinhar, de “dar beijinhos” e tratá-lo “como um cachorrinho”. Mas o fundamental é que seja “uma mulher que goste de falar às refeições”.

Quanto a métodos de conquista, é claro: “Uma boleia no meu descapotável”. (risos). “É verdade, raramente se dispensa uma boleia e funcionou bem da última vez. Depois, a meio do caminho, sugere-se uma paragem para beber qualquer coisa…”.

Samora casou aos 19 anos, é divorciado e está livre. Não sabe se tornará a casar, mas tem qualidades para isso. Senão, vejamos: guarda as fotos das namoradas de infância; tem como grande qualidade a lealdade; num relacionamento afectivo valoriza a tolerância e ainda não encontrou a “alma-gémea”. (Raparigas solteiras: do que é que estão à espera?!)

“NÃO FAÇO SERENATAS”

O ex-namorado (será ex-marido?) de Bárbara Guimarães nunca pensou em si como um sedutor mas diz que é um “conquistador a todos os níveis”. Aos 31 anos, Pedro Miguel Ramos confessa que namorou pouco e que a sua mulher ideal é a actual namorada (cujo nome não revela). Alinha, mesmo assim, em traçar um retrato da mulher-padrão: “Digamos que deverá ter o cabelo da Nicole Kidman em versão morena, e o corpo da Cindy Crawford”.

Com voz convicta garante que o que mais valoriza num relacionamento é a lealdade e a honestidade. Por isso: “Há muito a percorrer até chegar ao lado físico. Não que descure esses atributos, mas o que mais valorizo é a formação, a educação da pessoa, a honestidade, a personalidade e o humor”.

E o que Pedro também n\ao descura é a paz e a tranquilidade de uma relação a dois. O jovem empresário, que passou os últimos três anos sozinho, não descura o casamento. Mas vai avisando que precisa de espaço para ser feliz: “É claro que preciso de espaço. Mas gosto da solidão com ruído. Não sou uma pessoa cinzenta”. E romântico, é? “Não faço serenatas, porque não sei cantar, mas sou romântico!”.

REININHO:SEDUÇÃO À MODA DO PORTO

Há quem da fama não se livre, mas nem sempre o que parece é. Rui Reininho, 47 anos, vocalista dos GNR, divorciado, tem tudo para ser um ‘playboy’. Mas querem saber uma coisa? Ele jura que não é.

Questionado sobre o facto de muitos lhe atribuirem a fama de sedutor, diz que talvez seja pelo seu ‘ar do Norte’. E que ar é esse? “Um ar Celta”.

Grande apreciador do género feminino e apologista da “diversidade”, Reininho confessa que certas “negras” o deixam louco e que o segredo de manter a chama, quando uma mulher “está a fim”, é remeter-se ao silêncio…

Quanto a métodos de conquista, nem um. “Sou como os médicos: cada caso é um caso”. Do que gosta mesmo é “da noite dos rapazes”. De preferência “num bar ‘striper’”.

Na tentativa de se distanciar da imagem do “playboy”, vai arranjando justificações: “Talvez só mesmo o facto de ser um noctívago... mas até isso está associado à profissão”. De resto, “não aprecio carros desportivos, nunca gostei de velocidade nem de Ferraris e não acredito no mito das praias tipo Saint-Tropez”. Em matéria de festas ‘in’, vai a poucas e não se considera uma ‘fashion victim’ (por ser “sui generis” a vestir).

Reininho vive sozinho (com uma cadela), ainda não encontrou a mulher ideal e não tem nenhuma relação oficial. Considera interessante o “jogo do engano e da sedução” mas atribui à PDI (p… da idade) a falta de paciência para entrar na “jogada”.

Na mulher, atrai-o a linguagem das mãos, o gesto e o olhar… E quando as coisas vão mais longe, não descura o resto: “Não gosto de dizer ‘fazer amor’, o que se faz é sexo, e eu gosto. Amor só se faz com a pessoa que se ama”. No fundo, é um
romântico.

UM HOMEM TRISTE

Feminista assumido e inimigo do Corão, Rui Reininho gosta tanto de mulheres que vai começar a ter aulas de Tango, influenciado por um grupo de amigas. Já discotecas, nem vê-las. “Não me agrada ver o povo e a juventude no seu pior. Nisso sou ‘playboy’ (risos). E quais são as suas armas para seduzir? “Estar caladinho! Aprendi que quando uma mulher está ‘a fim’, não interessa o que um homem diz. Tenho tido mais sorte quando estou descontraído. O ‘relax’ atrai mais do que o nervosismo – aquele falar barato horas a fio com o objectivo de metê-las no carro e na cama, é terrível”.

Quanto à mulher ideal, não tem, “infelizmente”. Mas lembra-se de uma “safada na cama e uma lady na mesa”.

Para o cantor, todas as mulheres que namorou são famosas. “Mas, se calhar, a única verdadeiramente famosa foi a minha senhora, a actriz Alexandra Leite, mãe do meu filho”. Só casou uma vez e é com convicção que afirma: “Acho difícil que agora alguém me pegue”.

NUNO DA CÂMARA PEREIRA:O HOMEM É UM PREDADOR

É um dos mais cobiçados do “jet set” português. Fadista, empresário e conquistador, este homem de 51 anos ensina os pretendentes a seduzir uma mulher.

Considera-se um ‘playboy’?
Não. Nem gostaria de o ser. Sou mais um sedutor. Um galã.

O que tem a conquista de fabuloso?
O “flirt” dá prazer a qualquer homem. Talvez tenha a ver com o sentimento, presumo eu, do macho, com a sua essência. Não podemos esquecer que em termos de instinto o homem é um animal. Costumo brincar com os meus amigos e dizer que o homem na sua essência é um predador e hoje em dia cada vez vejo mais isso.

O que o leva a seduzir uma mulher?
Qualquer artista é apreciador da beleza, do mundo, de uma flor, de uma mulher. Nunca me sentiria bem sem beleza por perto, ela agudiza-me os sentidos.

Prefere uma mulher bonita ou inteligente?
Ambas. Uma mulher inteligente e feminina é sempre alvo da inteligência de um homem. E uma mulher bonita o mesmo. Agora é mais fácil deixar-me seduzir por uma mulher inteligente, do que por uma mulher estúpida. E se for feia, não quero.

É vaidoso?
Não. Agora sei olhar para o espelho.

Como é a sua mulher ideal?
Feminina, terna, doce, bonita e inteligente, mas não esperta.

Namorou mulheres famosas?
Não. Nunca gostei do confronto no namoro ou no ‘flirt’, nunca gostei de ir à procura da luz olhada por todos. Cá está, o meu instinto de macho não me deixa.

Deixou muitas namoradas?
Felizmente que sim. Tive as experiências que todos os homens têm e posso dizer-lhe com orgulho que nunca utilizei a prostituição e nem a compreendo.

A que atribui o facto de algumas mulheres o considerarem um sedutor?
À maneira de estar, de me apresentar; àquilo que digo e faço; à imagem que tenho e ao que cantei; à forma como olho e como me deixo ser olhado; o timbre de voz. É um cocktail… É a força bruta da natureza.

O que valoriza no relacionamento a dois?
Espiritualidade, o que emana na atmosfera da conversa entre os dois, a troca de olhares, o clima que dá o climax.

Prefere as loiras ou as morenas?
Não aprecio loiras, não me seduzem.

Quantas namoradas teve?
Não sei, algumas. Nunca as contei.

Apesar de sedutor, é um homem leal?
Só vejo uma forma de estar na vida: com lealdade. O homem é leal, os cães fiéis.
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