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Correio da Manhã

Economia
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Alerta para previsões macroeconómicas "pouco prudentes"

Conselho de Finanças Públicas avalia Orçamento.
22 de Janeiro de 2016 às 13:50
"O Ministério das Finanças assume a aceleração da procura externa sem parecer ter em conta os mais recentes sinais de abrandamento"
'O Ministério das Finanças assume a aceleração da procura externa sem parecer ter em conta os mais recentes sinais de abrandamento' FOTO: Bruno Simão

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) alertou esta sexta-feira para os "riscos relevantes" e previsões "pouco prudentes" do Projeto de Plano Orçamental para 2016 (PPO/2016), já que dependem de hipóteses cuja concretização não está assegurada.


"As previsões incluídas no PPO/2016 dependem crucialmente de hipóteses cuja concretização não está assegurada, em particular no que respeita ao crescimento da procura externa e à evolução dos preços", destaca o parecer do CFP, divulgado esta sexta-feira, no mesmo dia em que o Governo apresentou o documento.


O CFP considera que os riscos mais relevantes estão associados à evolução dos preços e o seu impacto imediato na competitividade da economia, crescimento do PIB e emprego, mas aconselha também "prudência" quanto ao crescimento da procura externa, atendendo à evolução recente em mercados importantes para as exportações portuguesas, principalmente Angola, Brasil e China.


"O Ministério das Finanças assume a aceleração da procura externa em 2016, de 3,9% para 4,3%, o que não parece ter em conta os mais recentes sinais de abrandamento de parceiros económicos relevantes", nota o CFP, sublinhando que "os riscos decorrentes de previsões que se revelem otimistas são especialmente significativos num contexto de forte incerteza quanto à evolução da economia mundial e de elevado endividamento da economia portuguesa".


Por outro lado, embora não considere "implausíveis estatisticamente no curto prazo, as previsões quanto ao comportamento dos preços, do investimento e do comércio externo em 2016", o CFP defende que são "pouco prudentes".


Segundo o parecer deste órgão consultivo independente, "a previsão de aumento dos preços em consequência da pressão da procura interna decorrente do aumento do rendimento disponível não se afigura suficientemente plausível e suscita problemas quanto ao desempenho da economia e da política orçamental".

Conselho das Finanças Públicas CFP
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