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CGD emite 500 milhões de euros de dívida 'verde' com 'cupão' de 0,375%, o mais baixo de sempre

Procura supera em três vezes o valor colocado, com a taxa de cupão mais baixa de sempre.
Lusa 14 de Setembro de 2021 às 20:04
Sede da CGD
Sede da CGD FOTO: MIGUEL BALTAZAR
A CGD realizou esta terça-feira uma emissão de dívida sénior preferencial no valor de 500 milhões de euros, com a procura a superar em três vezes o valor colocado, e com a taxa de cupão mais baixa de sempre.

"Caixa Geral de Depósitos, S.A. [CGD] realizou hoje uma emissão de dívida sénior preferencial (senior preferred), no montante de 500 milhões de euros, com o prazo de seis anos, colocada nos mercados internacionais e emitida com um cupão de 0,375%, o que constitui o cupão mais baixo alguma vez conseguido pela Caixa em emissões no mercado de capitais", anunciou o banco público em comunicado.

Trata-se de uma emissão de dívida sustentável, a primeira realizada por um banco português com estas características, com o presidente da Comissão Executiva da CGD, Paulo Macedo, a salientar que esta emissão revela que a Caixa "tem capacidade para inovar na banca portuguesa" como pioneira, "numa economia em que a Sustentabilidade é um dos pilares fundamentais para garantir o futuro".

A emissão insere-se no plano de financiamento definido para o cumprimento dos requisitos de MREL ('Minimum Requirements for own funds and Eligible Liabilities') fixados pelo Banco de Portugal, conforme decisão do Conselho Único de Resolução, com a CGD a precisar que se trata da segunda emissão colocada nos mercados de dívida internacionais para este fim, após a emissão de dívida sénior não preferencial realizada em novembro de 2019.

Além disso, a concretização desta operação enquadra-se no processo de autorização junto dos reguladores europeus para o exercício pela CGD da opção de reembolso antecipado da emissão de Additional Tier 1 (AT1) realizada pela Caixa em março de 2017 no âmbito do Plano de Capitalização acordado entre o Estado Português e a DG Comp.

Segundo Paulo Macedo, a obtenção das autorizações necessárias permitirá à CGD uma poupança anual em juros superior a 10%, tendo em conta o diferencial de taxas de juro entre a dívida agora emitida e o cupão do AT1 (10,75%).

Esta diferença dos juros, sustentou o gestor, reflete "o caminho percorrido desde 2016 no reforço da solidez e posição competitiva da Caixa".

Colocada exclusivamente junto de investidores internacionais, a emissão recebeu quase 130 ordens de compra que ultrapassaram o 1,5 mil milhões de euros, ou seja, mais de três vezes o montante colocado.

Segundo a informação divulgada pela CGD, os fundos de investimento tomaram mais de 70% do total da emissão.

O início do lançamento desta emissão de dívida sustentável foi comunicado publicamente pela CGD em 10 de setembro, com o banco público a assinalar que a operação se enquadra "no âmbito do 'framework' para o financiamento sustentável em 2021 pela CGD".

Ao abrigo deste programa, assinalava a informação então divulgada, o banco pode emitir instrumentos de Financiamento Verde "cujos montantes são exclusivamente atribuídos a categorias de projetos verdes", de Financiamento Social, para projetos sociais e de Financiamento de Sustentabilidade, "cujos montantes são atribuídos tanto a categorias de projetos verdes como a categorias de projetos sociais".

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