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Correio da Manhã

Economia
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Janeiro e fevereiro com redução "expressiva " da atividade económica

Indicador de clima económico recuou em fevereiro ao nível de julho de 2020, à boleia das restrições do confinamento.
Lusa 17 de Março de 2021 às 14:19
Instituto Nacional de Estatística, em Lisboa
Instituto Nacional de Estatística, em Lisboa FOTO: Tiago Henriques Costa
O indicador de clima económico recuou em fevereiro ao nível de julho de 2020, à boleia das restrições do confinamento, assinalando o Instituto Nacional de Estatística (INE) uma "redução expressiva" da atividade económica em janeiro e fevereiro.

A Síntese Económica de Conjuntura do INE, hoje divulgada, revela que o indicador de atividade económica (que sintetiza indicadores quantitativos sobre a evolução da economia) registou em janeiro um "acentuado agravamento", intensificando a queda registada desde outubro.

Também o indicador de clima económico (resultante de inquéritos às empresas), disponível para fevereiro, revela que se "intensificou" a redução, registada em janeiro, recuando para "um nível próximo do verificado" em julho de 2020.

O indicador de confiança dos consumidores também diminuiu, em fevereiro, após ter aumentado nos dois meses anteriores mas de forma menos intensa em janeiro.

Os indicadores de confiança do comércio e, em particular, dos serviços, registaram diminuições acentuadas, em fevereiro, enquanto na construção e obras públicas o indicador "diminuiu ligeiramente", segundo o INE. Em sentido oposto, o indicador de confiança da indústria transformadora aumentou.

"Em Portugal, a informação disponível para janeiro e fevereiro, num contexto de novas medidas restritivas de resposta à pandemia, revela uma redução expressiva da atividade económica", salienta o instituto, na síntese hoje divulgada, ressalvando o aumento em fevereiro do indicador de sentimento económico da Área Euro.

Esse aumento "aconteceu em resultado da recuperação" dos níveis de confiança na indústria, nos serviços e, em menor grau, dos consumidores e na construção, registando-se ainda aumentos em cadeia nos preços das matérias-primas e do petróleo (de 5,4% e 14,4%, respetivamente, contra 10,2% e 9,6% em janeiro).

O montante de levantamentos nacional, pagamentos de serviços e compras em terminais de pagamento automático na rede multibanco caiu 25,7% em fevereiro, face ao mesmo mês de 2020, acentuando a queda de 18,7% do mês anterior.

As vendas de automóveis ligeiros de passageiros também teve um decréscimo mais acentuado, de uma descida homóloga de 30,5% em janeiro para uma de 59,0%, enquanto as vendas de veículos comerciais ligeiros caíram 17,8% (menos do que a queda de 19,2% no mês anterior) e os veículos pesados aumentaram 19,2% (quando tinham diminuído 20,8% em janeiro).

O INE reporta também que, de acordo com as estimativas mensais do Inquérito ao Emprego, a população empregada registou uma diminuição homóloga de 3,5% em janeiro, situando-se a taxa de desemprego em 7,2%, mais 0,4 pontos percentuais que no mês anterior, menos 0,3 pontos percentuais que há três meses e mais 0,4 pontos eprcentuais do que há um ano.

A taxa de subutilização do trabalho situou-se em 14,2% em janeiro, mais 0,5 pontos percentuais do que no mês precedente, e mais 1,7 pp, em resultado, do aumento da população desempregada (mais 4,2%), mas o INE lembra que os dados refletem em parte a nova série de dados do inquérito ao emprego, que deixa de considerar como empregadas as pessoas ocupadas em atividades de agricultura e pesca para autoconsumo.

"Com base num exercício de simulação que consistiu em passar as pessoas naquela situação para a inatividade nos meses anteriores, a variação homóloga da população empregada (15 a 74 anos), não ajustada de sazonalidade, teria sido -2,6% em janeiro em vez de -3,5%", explica o instituto.

Segundo os dados hoje divulgados, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) acelerou, com um aumento homólogo de 0,5% em fevereiro, mais 0,2 pp que no mês anterior, com uma subida de 0,5% na componente de bens (0,3% em janeiro) e de 0,6% na componente de serviços (0,4%).

Os preços das matérias-primas e do petróleo apresentaram variações em cadeia de 5,4% e 14,4%, respetivamente (10,2% e 9,6% em janeiro).

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