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Correio da Manhã

Economia
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Milhões da bazuca só chegam em julho

Bruxelas está disposta a “acelerar” a análise mas não promete uma aprovação mais cedo.
Wilson Ledo 23 de Maio de 2021 às 09:46
O ministro João Leão, com o comissário Dombrovskis (à esquerda) e Luís de Guindos, vice do BCE, no fecho do encontro
João Leão diz que a UE está a estudar um imposto de cariz ambiental
O ministro João Leão, com o comissário Dombrovskis (à esquerda) e Luís de Guindos, vice do BCE, no fecho do encontro
João Leão diz que a UE está a estudar um imposto de cariz ambiental
O ministro João Leão, com o comissário Dombrovskis (à esquerda) e Luís de Guindos, vice do BCE, no fecho do encontro
João Leão diz que a UE está a estudar um imposto de cariz ambiental
Os 16,6 mil milhões de euros da bazuca europeia previstos para Portugal só devem começar a chegar ao País em julho. A Comissão Europeia reforçou este sábado que quer aprovar os primeiros planos de recuperação “na segunda quinzena de junho”, o que atira os primeiros pagamentos para o mês seguinte. O vice-presidente-executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, admitiu este sábado que há vontade em “acelerar um pouco” a análise dos documentos mas não garantiu que a aprovação dos mesmos possa ser antecipada.

“Estes são documentos muito complexos, pelo que leva tempo”, afirmou Dombrovskis em Lisboa, após uma reunião com os ministros das Finanças europeus. A nível comunitário, a “palavra de ordem” para os próximos meses é a “concretização” das reformas previstas nos planos de recuperação dos diferentes países, reforçou.

Até porque a União Europeia quer que os 27 Estados-Membros comecem a fechar a torneira dos apoios diretos à liquidez das empresas, já que acarretam “riscos orçamentais”. Nesse sentido, as regras de disciplina orçamental – que impõem limites ao défice – também deverão voltar em 2023.

Ainda assim, o primeiro-ministro português insiste que a chave da recuperação não está na austeridade. “Espero que estejamos todos reconciliados com a ideia de que a austeridade não é o caminho a seguir”, afirmou António Costa, após um encontro com o vice-chanceler alemão.

Também do Banco Central Europeu (BCE) vieram alertas sobre uma eventual vaga de insolvências. Apesar da perspetiva ser mais positiva do que “há três ou seis meses”, o vice-presidente Luís de Guindos pediu “prudência” no alívio das medidas de apoio às empresas, nomeadamente das moratórias.

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Mil milhões de euros é o valor da bazuca aprovada pela União Europeia para apoiar a recuperação após a pandemia.

Turismo ajuda Portugal
Bruxelas espera que o regresso de turistas ajude a “recuperação gradual” da economia portuguesa. É à boleia deste setor que João Leão já admite um crescimento de 5% este ano.

Imposto mundial em breve
A expectativa é de que haja um acordo para um imposto mundial sobre as multinacionais na reunião do G20, em julho. Costa diz ser uma oportunidade “única”. Portugal concorda com os 15% propostos pelos EUA.

Presidência fecha com cimeira sobre recuperação

Portugal vai receber, em junho, uma cimeira de “alto nível” sobre os planos de recuperação a nível europeu. O anúncio foi feito este sábado pelo ministro das Finanças português, João Leão. A lista de convidados ainda não está fechada mas contará com “economistas e especialistas” na questão da recuperação. Este momento, agendado para 28 de junho, coincidirá com os últimos dias da presidência portuguesa da União Europeia. O evento chegou a estar previsto para abril.

Europa mais amiga do ambiente exige mudanças nos impostos e importações
A transição ecológica foi um dos temas fortes no encontro em Lisboa dos ministros das Finanças europeus. Uma das metas passa por impedir a importação de produtos poluentes, em setores como o aço, cimento ou fertilizantes. A União Europeia está também a preparar um imposto de fronteira, para impedir eventuais deslocalizações destas empresas mais poluentes. João Leão explicou que este mecanismo será aplicado de forma gradual.
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