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Correio da Manhã

Economia
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Petróleo baixa 9 dólares e gasolina 4,5 cêntimos

O litro da gasolina sem chumbo custa, agora, 1,343 euros nos postos de abastecimento da Galp Energia (descida de 2,5 cêntimos).
1 de Setembro de 2006 às 00:00
Petróleo baixa 9 dólares e gasolina 4,5 cêntimos
Petróleo baixa 9 dólares e gasolina 4,5 cêntimos FOTO: d.r.
Desde o passado dia 10, em que o petróleo atingiu o máximo histórico de 78,64 dólares no mercado de futuros de Londres, a petrolífera portuguesa desceu 4,5 cêntimos o preço da gasolina sem chumbo.
A redução de custo por parte da Galp é de 3,35 por cento. No entanto, a matéria-prima baixou nove dólares na praça londrina (descida de 12,5 por cento).
Conforme declarou ao Correio da Manhã o secretário-geral da DECO, Jorge Morgado, “há sempre muita pressa em aumentar os preços. Mas quando o petróleo baixa, essa pressa não existe”. Ou seja: havendo encarecimento da fonte energética nos mercados de futuros de Nova Iorque e de Londres, o consumidor português sente-o logo no bolso. No caso contrário, não só demora a baixa de preço como também não acontece em conformidade com a percentagem de redução nos mercados referidos.
Segundo o responsável da organização de defesa dos consumidores, “a concorrência não existe, apesar da liberalização do mercado de combustíveis, e o Governo não toma medidas para que ela exista e seja benéfica para o consumidor”.
A Galp já frisou ao nosso jornal que as alterações de preços são de acordo com os custos da refinação e não das cotações do petróleo nos mercados de futuros.
A verdade é que o consumidor se guia pelas praças nova-iorquina e londrina, não pelo mercado da refinação, e que as petrolíferas são as beneficiárias da alta do preço do petróleo, assim como os países produtores. Isto porque os ganhos resultantes do aumento do preço do petróleo são sem despesas, pois nem se faz investimento, nem se paga mais pela mão-de-obra, nem o custo da exploração petrolífera é maior presentemente do que há um ano.
Recorde-se que, no exercício de 2005, a petrolífera portuguesa, que também faz refinação, teve o resultado líquido recorde de 442 milhões de euros, mais 33 por cento do que em 2004.
Em volume de negócios, a empresa presi-dida por José Marques Gonçalves cresceu 21 por cento, para 11,126,563 mil milhões de euros.
Apesar dos bons resultados, o presidente da comissão executiva da Galp Energia afirmou ontem, na assembleia geral de accionistas, que porá o lugar à disposição após a entrada da empresa nos mercados de capitais português e internacionais.
Na assembleia geral, os accionistas aprovaram a proposta de distribuição do dividendo extraordinário de 1,05 euros por acção, totalizando 870,71 milhões de euros.
ENTRADA EM BOLSA NO PRÓXIMO MÊS
A Galp Energia passa a estar cotada na Euronext Lisboa e noutras praças financeiras a partir do próximo mês.
O Conselho de Ministros aprovou recentemente uma oferta pública de venda e uma venda directa de acções representativas de cerca de 25 por cento do capital social da empresa. Os trabalhadores da petrolífera, os pequenos subscritores e os emigrantes beneficiarão de um desconto de cinco por cento na privatização.
Os trabalhadores da Galp terão a garantia mínima de 300 acções. As quantidades máximas são as seguintes: cinco mil acções destinadas a trabalhadores, pequenos subscritores e emigrantes; 15 mil acções na reserva destinada ao público em geral.
A cotação da Galp, conforme já afirmou um especialista, será benéfica, porque os investidores portugueses terão não só mais uma empresa em que investir mas também um novo sector: o petrolífero.
PERFIL
José Marques Gonçalves nasceu a 11 de Junho de 1951. Licenciado em engenharia mecânica pelo Instituto Superior Técnico e graduado pela Harvard Business School e pelo General Motors Institute, nos EUA, preside à comissão executiva da Galp Energia desde Maio de 2005.
VENDA DO GÁS NATURAL À REN
A distribuição de 870,71 milhões de euros de dividendos extraordinários aos accionistas da Galp deve-se à venda dos activos de gás natural da petrolífera à REN – Rede Eléctrica Nacional. O respectivo contrato de promessa de compra e venda foi assinado anteontem.
Num comunicado, a empresa disse que tal distribuição de dividendos “foi considerada adequada”, ao abrigo do “programa de investimentos contemplado no plano estratégico” e da “estrutura de capitais da empresa quando comparada com empresas congéneres”. Na reunião da assembleia geral de accionistas de ontem, além da referida distribuição de dividendos, aprovaram-se as contas do exercício do primeiro semestre deste ano, as quais foram feitas de acordo com as novas normas internacionais de contabilidade. Os accionistas voltam a reunir-se na próxima quarta-feira para debater os restantes assuntos da ordem de trabalhos.
INFORMAÇÕES E NÚMEROS
2 euros e dois cêntimos e meio é quanto se paga a menos pelo enchimento de um depósito de 45 litros de gasolina sem chumbo 95.
12,5% é a percentagem de descida do preço do petróleo desde o passado dia 10, no qual atingiu o máximo de 78,64 dólares.
3,35% é a percentagem de diminuição do preço do litro de gasolina nos postos de abastecimento da Galp Energia.
2,5% é a percentagem de descida do preço da gasolina nos postos da BP, onde a gasolina sem chumbo 95 custa 1,354 euros.
221 milhões de euros de dividendos ordinários, referentes ao exercício do ano passado da petrolífera portuguesa.
442 milhões de euros foi quanto lucrou a Galp Energia em 2005, mais 33 por cento do que em 2004.
NOTAS
CAPITAL SOCIAL
A Galp Energia tem o capital social de 829,250,635 milhões de euros, representado por 829,250,635 milhões de acções ao valor nominal de um euro cada. Ontem, o ‘Jornal de Negócios’ noticiou que se a Galp for colocada em Bolsa com uma avaliação média de seis mil milhões de euros, será mais cara que a média do sector petrolífero a nível europeu. Tal verba é a média sugerida pelos bancos que estão a assessorar o Governo na cotação da Galp.
ESTRUTURA ACCIONISTA
Os accionistas da Galp são os seguintes: ENI, com 33,34 por cento do capital; Estado português, com 30 por cento. O empresário Américo Amorim detém 13 por cento, mas assinou um contrato para a compra dos 18,3 por cento detidos pela REN na petrolífera. A posição da espanhola Iberdrola é de quatro por cento; a da CGD, de um por cento.
PRESIDENTE EXECUTIVO
O conselho de administração da Galp Energia solicitou ao respectivo presidente, Francisco Murteira Nabo, que “coordene o processo conducente à indigitação do líder executivo da Galp” após a entrada em Bolsa. Américo Amorim pretende Ferreira de Oliveira à frente da petrolífera.
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