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Correio da Manhã

Economia
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Prejuízos das empresas dos espetáculos serão superiores aos de 2020

Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos estima cem milhões de euros em prejuízos.
Lusa 29 de Junho de 2021 às 18:25
Sala de espetáculos durante a pandemia
Sala de espetáculos durante a pandemia FOTO: Ricardo Meireles
A Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE), que organiza um protesto na quarta-feira, em Lisboa, calcula que as empresas que trabalham para espetáculos vão ter prejuízos superiores aos cem milhões de euros estimados em 2020.

"O ano ainda está a ser pior do que o ano passado", afirmou à agência Lusa o presidente da direção da APSTE, Pedro Magalhães, tendo em conta a obrigatoriedade de testagem à covid-19 para acesso a eventos culturais e perante o panorama de cancelamentos de espetáculos.

A APSTE marcou para quarta-feira um protesto em Lisboa, a partir da rotunda do Marquês de Pombal, contra a medida decretada pelo governo, de obrigatoriedade de realização de testes de diagnóstico para os espectadores acederem a eventos.

"Nós somos a favor das testagens, mas não desta forma discriminatória. Deve ser feita uma testagem em massa, mas para o nosso dia-a-dia, para ir a um restaurante, para ir a um centro comercial, para estarmos junto das outras pessoas. (...) As pessoas não vão fazer teste só para ir a um espetáculo. Vão evitar", lamentou a APSTE.

Além dos prejuízos já calculados para as empresas de audiovisuais - que fornecem os equipamentos para os espetáculos - Pedro Magalhães fala em "aflição" se as moratórias terminarem em setembro, porque as entidades estão "muito endividadas", por investimentos regulares em renovação de equipamento.

Ao protesto organizado pela APSTE associam-se outras associações do setor cultural, nomeadamente a Associação Espetáculo - Agentes e Produtores Portugueses, a APEFE - Associação Promotores Espectáculos, Festivais e Eventos e a APORFEST - Associação Portuguesa dos Festivais de Música.

"Havia alguns espectáculos de verão, estavam a ser marcados e a dar um ânimo às empresas, mas quando foi comunicada esta obrigatoriedade de testagem, imensos espetáculos foram cancelados até de municípios, que são os principais promotores de espetáculos", lamentou o responsável da APSTE.

No verão do ano passado, que já decorreu sem os habituais festivais, a APORFEST estimou uma perda de cerca de 1,6 mil milhões de euros, de impacto do setor na economia, contra os dois mil milhões originados em 2019.

A associação também lamentou que a Direção-Geral da Saúde, com a qual tem tido reuniões regulares desde janeiro, não tenha ainda divulgados conclusões dos eventos-piloto realizados em abril e maio em Braga, Coimbra e Lisboa.

Este mês, a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) esclareceu que é "obrigatória" a realização de testes à covid-19 nos eventos culturais, quando o número de espectadores for superior a mil, em espetáculos ao ar livre, e a 500, em espaços fechados.

A APSTE volta a realizar um protesto depois de em 2020 ter ocupado o Terreiro do Paço, em Lisboa, com caixas negras de transporte de equipamento, e de ter colocado uma faixa central da Avenida dos Aliados, no Porto, contra o imperativo dos despedimentos provocado pela covid-19.

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