Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
3

Selecção faz subir vendas da Sagres

A associação da Sagres à Selecção Nacional é de tal maneira forte que a marca até foi identificada como patrocinadora do Mundial de Futebol, sem o ser, como revelou um estudo da Universal MacCann. Mais uma razão para a Central de Cervejas continuar a apoiar a Selecção estando já a renegociar o seu patrocínio, como revelou ontem ao Correio da Manhã, o presidente executivo da empresa, Alberto da Ponte.
9 de Agosto de 2006 às 00:00
Alberto da Ponte está na Central de Cervejas desde 2004
Alberto da Ponte está na Central de Cervejas desde 2004 FOTO: Jorge Paula
O processo só deverá estar concluído no final do mês de Setembro, adiantou o gestor. Trata-se de “uma aposta [na Selecção] ganha”, garante Alberto da Ponte, referindo-se à notoriedade que a associação ao futebol consegue para a marca portuguesa.
Mas a “parceria”, como prefere chamar a este acordo , também passa pela “promoção da equipa nacional nos pontos de venda, nomeadamente através da fotografia dos jogadores e calendários dos jogos”. Sem querer concretizar qual o valor do patrocínio, o presidente executivo garante que tem um “peso significativo” entre os quatro milhões de euros de apoios anuais.
Outra aposta foi na inovação, nomeadamente através do lançamento de novos produtos. Ontem mesmo, a performance portuguesa foi destacada na comunicação semestral do grupo Scottish & Newcastle (dono da Central) à Bolsa de Londres.
Com efeito, as vendas da Central cresceram, nos primeiros seis meses do ano, 25 por cento, situando-se nos 277 milhões de euros.
Só em cerveja, a Central vendeu 171 milhões de litros, ou seja mais 24 milhões de litros que em igual período do ano passado, um crescimento de 15,4 por cento, em parte justificado pelo incremento do consumo associado à realização do Mundial de Futebol.
Nas águas o crescimento foi de 1,7 por cento, passando dos 129 para os 132 milhões de litros. As exportações registaram um crescimento de 60 por cento.
COM COMPAL NO HORIZONTE
A Central de Cervejas continua interessada na compra da Compal mas “são precisos dois para dançar”, afirmou ontem Alberto da Ponte, confessando assim, desta forma figurada, a falta de diálogo com a CGD que detém 80 por cento da empresa de sumos e refrigerantes.
Neste momento, a empresa tem uma marca de sumos, a Joi – lançada no início da década de 80 – mas a estratégia empresarial não passa por reforçar este segmento. Talvez dentro de dois anos, admitiu Alberto da Ponte. Para já, o foco concentra-se sobretudo nas águas (Luso) e nas cervejas, ou seja, na marca Sagres.
PERFIL
Alberto da Ponte, de 53 anos, é um gestor experiente com uma carreira internacional na Lever, tendo passado por países como a Bélgica, Espanha e Malásia. Casado, pai de dois filhos, o gestor foi ainda administrador da Jerónimo Martins, antes de entrar para a Central de Cervejas em 2004. Formado em Finanças, pelo Instituto Superior de Ciências Económicas, vive em Lisboa com a esposa, com quem é casado há 31 anos. Para além do desempenho da Central de Cervejas neste primeiro semestre, também o Sporting lhe está a trazer alegrias, com os bons resultados na pré-época, como confessava ontem ao Correio da Manhã. Fora da bancada, o gestor não dispensa duas sessões semanais de ginástica, embora se assuma como “workaholic”. É um administrador que gosta da “gestão partilhada” e de estar bem informado, ou seja, muito para além dos temas profissionais, aproveitando para isso os almoços.
Ver comentários