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Sérgio Figueiredo recusa convite de Medina para ser consultor das Finanças

"Sou a partir deste momento o ex-futuro consultor do ministro das Finanças", diz num artigo de opinião do Jornal de Negócios.
Correio da Manhã 17 de Agosto de 2022 às 00:10
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Sérgio Figueiredo recusa convite de Medina para ser consultor das Finanças
"Não há outra forma de o dizer: desisto". É assim que Sérgio Figueiredo aborda pela primeira vez a polémica envolta no novo cargo que tinha sido convidado para exercer no Ministério das Finanças. Num artigo de opinião do Jornal de Negócios, o ex-diretor de informação da TVI comunica que recusou a proposta de Medina para ser seu consultor para “o desenho, implementação e acompanhamento de políticas públicas”.

Segundo informações do Ministério das Finanças, Sérgio Figueiredo faria a avaliação e monitorização do impacto das políticas públicas e também o aconselhamento na tomada de decisões da equipa do ministério. Contratualmente, o ex-jornalista ficaria impedido de exercer outras atividades que pudessem representar um conflito de interesses com as funções exercidas no Ministério das Finanças.

"Ficou insuportável tanta agressividade e tamanha afronta, tantos insultos e insinuações. Não tolero estes moralistas sem vergonha, analistas sem memória. Vergo-me aos assassínios de caráter, atingido pela manada em fúria, ferido por um linchamento público e impiedoso. É lixado desistir. É a forma mais definitiva de dizermos que não vale a pena – e não vale a pena, porque não vale tudo. E porque os ataques cobardes vêm de quem não vale nada", diz Sérgio Figueiredo a propósito dos vários comentários que surgiram a propósito da sua nomeação e ainda de acusações de que já foi alvo.

A polémica nomeação feita por Fernando Medina, que tem a duração de dois anos, pode seria ainda mais complicada para o Governo, uma vez que o ex-jornalista já foi interrogado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no âmbito do processo EDP/CMEC, onde se investigam as rendas excessivas de energia, e que tem como arguidos os ex-administradores António Mexia e Manso Neto, bem como o antigo ministro da Economia do Governo de Sócrates, Manuel Pinho, e o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado. Em causa estão crimes de corrupção ativa e passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

"Para mim chega! Sou a partir deste momento o ex-futuro consultor do ministro das Finanças", prossegue o ex-jornalista, que refere que com a renuncia a este cargo não vai mais trabalhar para o Estado, coisa que afirma nunca ter feito. "Nunca até hoje trabalhei para o Estado. Assim continuará a ser daqui para a frente".

Sobre as polémicas e comentários de que foi alvo, Sérgio Figueiredo diz que "basicamente fui atacado pela prática de quatro pecados capitais: não ter competências para as funções; o valor do "salário"; não ter exclusividade; e a troca de favores entre o contratado e o contratante. Mentiras, logros, intrujices ou simplesmente maledicências". Figueiredo passa então a explicar o porquê de todas estas acusações serem "mentiras, logros, intrujices ou simplesmente maledicências".

Sérgio Figueiredo termina o seu artigo de opinião dizendo que "não vai acontecer qualquer conflito [de interesses]. Perdi o interesse. Ou a vontade de o ter. Não sei o que é pior". 
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