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Ataque a ingleses com bastões e gás

Casal britânico preparava-se para jantar, com dois filhos menores, quando quatro ladrões invadiram a moradia pela janela. Sequestro durou uma hora.
11 de Janeiro de 2010 às 00:30
Assaltantes partiram janela da Quinta das Pedras para entrar. Casal britânico tinha apresentado uma queixa na GNR após assalto na terça-feira
Assaltantes partiram janela da Quinta das Pedras para entrar. Casal britânico tinha apresentado uma queixa na GNR após assalto na terça-feira FOTO: Luís Costa

Mal invadiram a moradia, a salto pela janela, os quatro encapuzados atacaram – à hora de jantar – o casal inglês e dois filhos com bastões e gás pimenta. Com 12 e 13 anos, as crianças foram depois trancadas na casa de banho enquanto ouviam os pais serem agredidos e roubados. O assalto violento de anteontem à noite, na Quinta das Pedras, em Sobradinho, Loulé, foi o último a famílias estrangeiras em vivendas do Algarve. A Polícia Judiciária (PJ) está agora a investigar.

O relógio marcava 19h20 quando o casal e os dois filhos se preparavam para jantar. 'Entraram por uma janela, atiraram gás pimenta para cima de todos nós e começaram logo a bater em mim e na minha mulher com bastões e barras de ferro', recordava ontem ao CM ‘John’ (nome fictício), visivelmente traumatizado.

Os dois filhos menores foram levados e trancados dentro de uma casa de banho da moradia, sempre sob a ameaça de uma faca e de um ferro. 'Ainda tentei ir ver as crianças mas voltaram logo a bater-me', recorda, nervosa, a mãe ‘Rachel’ (nome fictício), que ficou ferida na cabeça e o marido no nariz e no lábio.

O britânico de 62 anos chegou a sentir-se mal durante o assalto, por ter problemas cardíacos – e passado o pesadelo, quando os assaltantes partiram, uma ambulância dos Bombeiros de Loulé foi enviada ao local. Os quatro homens, que a Judiciária suspeita terem nacionalidades brasileira e do Leste europeu, vestiam roupas escuras. 'Parecia um filme de terror que só se vê na televisão', observou ‘Rachel’.

O grupo vasculhou a moradia e 'só perguntavam pelos cartões de crédito e dinheiro'. Levaram computadores, consolas de jogos, câmara de vídeo e fotográfica, roupas, cerca de cem euros em dinheiro, ouro e jóias. Tentaram levar o carro do casal, mas não conseguiram abrir a garagem. Fugiram no carro que os trouxe, onde estaria um quinto elemento à espera. O sequestro durou uma hora.

MORADORES COM MEDO COMPRAM RÁDIOS E ARMAS

O clima de medo entre a comunidade estrangeira não pára de aumentar e está a obrigar a que alguns se organizem em grupo e comuniquem regularmente com rádios transmissores. 'Estamos em sintonia com os nossos vizinhos e avisamos uns aos outros sempre que acontece alguma coisa suspeita', contou ontem ao CM um residente na zona do Sobradinho. 'Viemos para Portugal para gozar a nossa reforma em paz e tranquilidade e, agora, estamos a viver com medo', lamenta ao CM um casal alemão, que comprou casa no Algarve há oito anos e pensa agora vender a mesma e abandonar o País. Como eles, vários outros estrangeiros já colocaram as casas à venda e estão prontos para ir embora. Entre os que resistem, sabe o CM, há mesmo quem já tenha comprado armas para se defender dos ladrões.

SÉTIMO ATAQUE VIOLENTO DESDE SETEMBRO

Este é já o sétimo caso violento conhecido em que as vítimas são casais de estrangeiros a residir no Algarve. A zona do Sobradinho, a Norte do concelho de Loulé, tem sido uma das mais fustigadas. Todos os ataques foram feitos em moradias isoladas. Os mais recentes aconteceram em Dezembro passado, quando dois casais, um de nacionalidade suíça e outro alemã, foram assaltados com violência dentro das próprias casas. O mais violento de todos aconteceu com um casal suíço, na zona de Almancil, em que os ladrões, além de roubarem, violaram a proprietária da casa, uma idosa de 77 anos.

PORMENORES

ASSALTADOS TERÇA-FEIRA

Na última terça-feira, o casal já tinha sido assaltado. Levaram dinheiro, um relógio e cartões de crédito das vítimas, que não estavam em casa.

SEMELHANTES

A PJ está a investigar o caso, que tem características em muito semelhantes a outros crimes praticados nos últimos meses.

REFORÇO DA VIGILÂNCIA

Apesar da violência do ataque, a família pretende continuar em Portugal e vai reforçar os dispositivos de vigilância. 

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