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Casal suíço foi espancado na sua vivenda do Algarve

Idosos foram atraídos por barulho de tiro à porta da sua moradia, na serra de Loulé. Sexto caso registado em 4 meses.
22 de Dezembro de 2009 às 00:30
Os assaltantes cortaram a rede que delimita a propriedade para entrar no terreno do casal Allemann. Depois dispararam para o ar para os atrair até à rua
Os assaltantes cortaram a rede que delimita a propriedade para entrar no terreno do casal Allemann. Depois dispararam para o ar para os atrair até à rua FOTO: Luís Costa

O casal Allemann foi a mais recente vítima da vaga de assaltos violentos em moradias de estrangeiros no Algarve. Ao início da noite de domingo, os suíços, ambos de 69 anos, foram atacados por três homens na casa onde vivem na zona do Sobradinho, na serra a Norte do concelho de Loulé. Foram agredidos e ficaram sem telemóveis, computadores e televisão, além das carteiras. Desde Setembro, é o sexto caso conhecido de ataques a moradias isoladas. Quase sempre com violência e contra estrangeiros reformados.

Quatro dos casos aconteceram na serra a Norte de Loulé. A mesma zona onde, em 2005, um inglês morreu na sequência de um assalto. Com medo, os turistas falam cada vez mais em abandonar Portugal. Pouco passava das 20h30 de domingo quando a senhora Allemann apareceu à porta da vizinha Maria José Lampreia, no sítio do Sobradinho. 'Tinha uma marca no olho direito, parecia que lhe tinham batido, e estava muito assustada', recorda Maria José ao CM. Como só fala Português, não percebeu o que a suíça dizia mas deixou-a utilizar o seu telefone para chamar a GNR. 'Parece que foi um assalto, mas não sei bem', diz ainda Maria José.

A casa dos Allemann tem alarme e grades nas janelas, mas não foi suficiente. Até porque o assalto terá sido preparado ao pormenor. Os criminosos começaram por cortar a rede que delimita a propriedade do casal suíço. Efectuaram um disparo para o ar para atrair os moradores à rua. Nesta altura, para imobilizar os idosos, os assaltantes agrediram-nos na cara. Depois limparam a casa e abandonaram o local.

A GNR foi a primeira força a chegar à moradia ‘Val Verde’. Mais tarde chegaram os homens da PJ, que ficaram com a investigação. As autoridades não dão mais informações sobre o caso 'porque ainda é muito prematuro', explica a Judiciária de Faro.

Perante estes assaltos, os estrangeiros que compraram casa no Algarve para a reforma falam cada vez mais em abandonar o País, como desabafa, sob anonimato, um vizinho dos Allemann: 'Saí de Vilamoura porque já tinha sido assaltado cinco vezes, agora acontece isto aqui. Estou em Portugal há 18 anos, agora a minha mulher quer ir embora.'

PORMENORES

TRATAMENTO

Os dois suíços foram transportados pelo INEM ao Centro de Saúde de Loulé, onde foram tratados a hematomas na face.

DETENÇÕES

A Judiciária deteve três suspeitos deste tipo de assaltos em Outubro. Outros quatro foram detidos em finais de Novembro.

GANGS DE LESTE

Suspeitos são homens de Leste e circulam e actuam em grupo entre Portugal e Espanha.

'NÃO HÁ NOÇÃO DA DIMENSÃO DO PROBLEMA'

'Dá-me a sensação de que não há noção da real dimensão do problema que se vive actualmente no Algarve', diz Seruca Emídio, presidente da Câmara de Loulé, depois de mais um assalto no concelho.

O autarca reconhece que os crimes estão a afastar os estrangeiros e a colocar em causa 'o turismo de qualidade'. Seruca Emídio elogia o anúncio de mais homens para as forças de segurança no Algarve mas diz ser necessário 'uma alteração legislativa', pois 'a lei incentiva os criminosos'.

'NÚMERO DE ASSALTOS É UMA SITUAÇÃO PREOCUPANTE': Nuno Aires Presidente do Turismo do Algarve

Correio da Manhã – O número de assaltos violentos a moradias de estrangeiros no Algarve é caso para alarme?

Nuno Aires – É uma situação preocupante, temos tido reuniões com as autoridades e temos de salvaguardar a segurança no Algarve.

– O que pode ser feito para combater estes crimes?

– Não somos especialistas em segurança, mas é preciso encontrar uma solução. O anúncio de mais meios para as forças de segurança feito pelo Governo é um sinal no sentido de resolver este problema.

– Estes casos vêm dar razão ao Governo britânico quando, em Setembro, aumentou o nível de alerta para a criminalidade em Portugal para os turistas britânicos?

– Penso que essa atitude foi exagerada, não se justifica, mas temos de estar atentos.

– Estes casos naturalmente afectam negativamente a imagem do Algarve como destino turístico?

– É preocupante, reconhecemos, e cabe às autoridades encontrar uma solução para o problema para manter a imagem que temos enquanto destino seguro.

ATAQUES DESDE SETEMBRO

São pelo menos seis, com o de domingo, os casos de assaltos violentos a moradias no Algarve desde Setembro. O anterior aconteceu no início do mês, também na serra de Loulé, a um casal de alemães, residente em Portugal há dez anos, que foi roubado e agredido.

Antes, a 31 de Outubro, um outro casal suíço foi assaltado na casa onde estava, em Almancil, igualmente concelho de Loulé. Neste caso, a senhora, de 77 anos, foi violada. Ainda em Loulé, em meados de Outubro, de novo numa moradia na serra, os assaltantes ameaçaram cortar os dedos de uma portuguesa, de 60 anos, se esta não revelasse os códigos do multibanco. Modus operandi semelhante ao utilizado com uma inglesa, de 50, numa moradia na Bordeira, também na serra, duas semanas depois. Em Setembro, Robert e Frieda Pickles, casal inglês de 74 e 72 anos, foi alvo de um assalto com agressões na casa onde passava férias na Penina, em Portimão. Recorde-se que, em 2005, um inglês morreu na sequência de agressões durante um assalto à moradia onde vivia com a mulher no Sobradinho.

NOTAS

GNR: REFORÇOS ANUNCIADOS

Foi ontem anunciado que o Algarve vai receber um reforço de 200 militares da GNR para o período do Natal e da Passagem-de-Ano e que, depois, cem ficarão definitivamente na região

VIOLAÇÃO: À ESPERA DE ADN

Ainda não foi tornado público o resultado do teste de ADN feito a um detido em Novembro, suspeito de ser o violador da turista suíça e responsável pela morte do britânico em 2005

TURISMO: QUEBRA NAS RECEITAS 

Em 2009, Portugal registou uma quebra de 10% nas receitas turísticas, anunciou ontem o secretário de Estado Bernardo Trindade. O próximo ano espera-se que seja igualmente difícil

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