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PSP e GNR investigam skinheads

As autoridades já identificaram os ‘cabeças rapadas’ que integravam o grupo que, na madrugada de 17 de Abril, deixaram um rasto de destruição em dois bares de Peniche: são ‘skinheads’ portugueses, maioritariamente originários de Lisboa, e alguns pertencem ao PHS – Portugal, com ligações estreitas ao movimento Hammerskin, uma organização de extrema-direita, violenta, com forte presença em Itália e nos EUA.
26 de Abril de 2005 às 13:00
Dois dos ‘cabeças rapadas’ que atacaram em Peniche,
Dois dos ‘cabeças rapadas’ que atacaram em Peniche, FOTO: Israel Sánchez (EPA)
Fotografias, vídeos e troca de informação entre entidades policiais permitiram descobrir entre o grupo de Peniche vários graus de ‘skinheads’: uns, ligados ao PHS, com missões de observação; outros que não passavam de simples aspirantes a militantes; e os iniciados à espera de passarem no ‘exame de admissão’.
Naquele grupo havia gente com funções e origens diversas. Muitos dos elementos identificados são da grande Lisboa (dois são militares). Outros são da zona de Peniche – conhecidos das autoridades e da população.
A decisão de ‘actuarem’ em Peniche na madrugada de 17 de Abril terá sido tomada no dia 9, durante um jantar que decorreu numa quinta da zona de Pegões. Dezenas de portugueses e estrangeiros ligados à extrema-direita internacional debateram nesse jantar, entre outros assuntos, as datas das acções violentas para este ano.
Os ataques em Peniche (tal como o CM noticiou) foram uma prova iniciática, mas a informação de que estará a ser preparada uma grande concentração de ‘cabeças rapadas’ em Portugal captou a atenção dos serviços de informação. Esta semana, PSP e GNR montaram vigilância em Peniche. Os investigadores não imaginaram que a organização PHS também teve um observador na zona de Peniche – com o objectivo de observar a iniciação e as movimentações policiais.
Uma fonte conhecedora deste movimento PHS confirmou ao CM que os acontecimentos em Peniche foram apenas um baptismo: “Depois de alguma instrução básica, há uma prova de violência. Partem umas coisas, fazem a saudação nazi, mostram-se e pouco mais”.
Estas acções de violência são quase sempre ‘supervisionadas’ por elementos daquela organização internacional de extrema-direita.
Apesar do secretismo com que estas organizações operam, o Euro’2004 potenciou a troca de informação entre as polícias europeias. O manancial de informação tem sido cruzado e tem permitido avanços nas investigações sobre hooliganismo e os grupos de extrema-direita internacionais.
PORTUGUESES NA ALTA-RODA INTERNACIONAL
Os ‘skinheads’ portugueses ascenderam à alta-roda internacional em 29 de Janeiro último. A designação oficial da mais importante organização portuguesa de ‘skinheads’ é agora Portuguese Hammerskin – PHS.
A internacionalização já levou os ‘cabeças rapadas’ portugueses a algumas reuniões na Europa. Fonte policial confirmou ao CM que “foram visionados vários elementos portugueses, na equipa que garantiu a segurança da festa ‘skin’ de Barcelona”.
A prova final dos ‘skin’ portugueses ocorreu em Junho de 2004. Oficialmente, foi apenas um concerto privado para “fomentar a camaradagem entre os nacionalistas portugueses e europeus”. A pretexto da festa, os ‘neo-nazis’ europeus ficaram a conhecer a Quinta do Amaro, no Tojalinho em Loures. Vieram de Itália, França e Suíça (ver CM de 21/06).
Dias depois (CM 27/06), 25 ‘skinheads’ foram detidos pela GNR de Loures na mesma quinta. Vestidos com calças camufladase botas militares. Quatro estavam na posse de armas de fogo. Fuzileiro, funcionário público, escriturário, estudante e segurança foram as profissões que então declararam ao tribunal.
PORMENORES
DATAS
As datas mais marcantes do calendário dos ‘skinheads’ são os dias 30 de Abril (morte de Hitler), 28 de Maio (revolução que esteve na origem do Estado Novo), 10 de Junho (designado Dia da Raça até 1973) e 27 de Junho (morte de Salazar).
LOCAIS DE CULTO
Os ‘cabeças rapadas’ costumam reunir-se em Lisboa no Disorder, no Cais do Sodré, e no Boca do Inferno, no Bairro Alto. Na Margem Sul os locais preferidos são o Tatoo, na Charneca, e Knock Out, na Costa de Caparica.
LEI
A Constituição proíbe organizações que perfilhem a ideologia fascista. O Código Penal prevê penas até oito anos de prisão para quem participar em actividades que incitem ao ódio e à violência racista ou religiosa.
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