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Correio da Manhã

Domingo
6

Travesssuras do reino da pop

Melodias que escalam os cumes e se lançam no ar em voos planantes e acrobáticos de cortar a respiração
17 de Fevereiro de 2019 às 00:30

Os Toy são uma banda formada em 2010 em Brighton, Inglaterra, mas desde cedo se sediaram em Londres. Foi aí que deram o primeiro concerto, no final desse ano, e se tornaram conhecidos, sobretudo após o apoio de outra banda londrina, os The Horrors, que no Outono de 2011 os levaram em digressão por todo o Reino Unido. De tal modo que em Janeiro de 2012 já eram apontadas pelo ‘New Musical Express’ como uma das "100 novas bandas a ouvir sem falta". Data de Setembro desse ano o seu primeiro álbum, homónimo, saído pela editora Heavenly (onde se mantiveram até ao ano passado), a que se seguiu em 2013 ‘Join the Dots’, ambos recebidos com grande entusiasmo crítico. Desde logo integrados no revivalismo ‘garage’ psicadélico então em eclosão, com a sua combinação de ‘shoegaze’ e ‘post-punk’, os Toy eram sobretudo exímios na arte do desvio, sacando linhas melódicas à esquerda e à direita, aos Jesus & Mary Chain ou aos La Düsseldorf, aos Suicide ou aos Brian Jonestown Massacre, aos Neu! ou aos Legendary Pink Dots, que misturavam e desenvolviam habilmente para obterem novas canções inesquecíveis. Em 2014 rumaram à Europa continental, para uma digressão de mais de dois meses e para o circuito dos festivais de Verão. Em Portugal já tinham estado no Festival de Paredes de Coura de 2013, ainda antes da edição de ‘Join the Dots’, naquela que foi a sua primeira passagem pelo nosso país, e deixado belíssimas memórias, pelo menos em mim. Em 2016, depois da saída da teclista espanhola Alejandra Diez, é editado ‘Clear Shot’, um terceiro álbum que pouco veio adiantar aos anteriores. Os Toy pareciam estar num impasse criativo, apesar de algumas críticas positivas, o que não lhes impediu um celebrado retorno a Portugal. E agora chegam ao quarto álbum, este ‘Happy in the Hollow’ que é uma boa surpresa e onde suplantam as promessas deixadas no disco de estreia ao assinarem um conjunto de pepitas em formato canção que levitam e planam a grande altitude. Boas perspectivas, pois, para o seu reencontro com o público português a 16 e 17 de Março próximo…

Texto escrito na antiga ortografia

LIVRO

DA PROFUNDEZA DAS TREVAS PARA O MUNDO

Autor russo amigo de Gorki e censurado pelos soviéticos, alcoólico e suicida, Leonid Andréev descreve a fatalidade do caos e da loucura humana com uma sensibilidade arrepiante, como estes contos sobre um bombista ‘naïf’, o quotidiano de um hospício ou os terrores da sexualidade nos mostram à saciedade.

DISCO

O DELICADO VOO DA MATÉRIA ONÍRICA

Tim Presley é White Fence e ficou, com Ty Segall e John Dwyer, indelevelmente ligado ao ‘garage rock’ neo-psicadélico de San Francisco. Neste nono álbum retorna ao som ‘lo-fi’ dos seus inícios, em 2010 e 2011, construindo uma mini-sinfonia de 14 temas sempre à beira do precipício e avassalada pelo sonho.

FILME

A NOBRE GESTA DE UM OCTOGENÁRIO FALIDO
O mais recente filme de Clint Eastwood é uma obra-prima de cinema clássico com a história simples e profundamente humana de um ex-combatente horticultor, charmoso e querido na comunidade mas com falhas familiares, que se converte em correio de droga após a falência do seu negócio de flores. Magnífico.

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