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'Nós, Cidadãos!' critica "efeitos da ciclovia" na Avenida Almirante Reis

Partido defende que construção da ciclovia naquela zona aumentou o trânsito e o ruído.
Lusa 20 de Setembro de 2021 às 17:25
Av. Almirante Reis
Av. Almirante Reis FOTO: Pedro Catarino
O partido Nós, Cidadãos!, candidato à presidência da Câmara de Lisboa, visitou esta segunda-feira a freguesia de Arroios para apontar "os efeitos da ciclovia" na Avenida Almirante Reis no quotidiano de comerciantes e residentes.

Os temas são vários, mas há um que concentra todas as atenções: a ciclovia construída pelo atual executivo camarário na Avenida Almirante Reis, que fez "aumentar o trânsito e o ruído" naquela zona.

Antes da arruada, uma dezena de apoiantes do movimento, vestidos de amarelo e preto, pararam uns minutos num cruzamento, a observar o corrupio de ambulâncias (em direção ao Hospital de São José) e a gincana de trânsito, questionando a utilidade da ciclovia para a "população envelhecida" da freguesia.

"Não faz sentido", resume Rui Cordeiro, candidato à Junta de Arroios. "Às vezes demora-se uma hora para chegar do Martim Moniz à Alameda", relata.

A acompanhar a ação, a candidata do Nós, Cidadãos! à presidência da Câmara de Lisboa sublinha que o movimento não está contra as ciclovias, mas tem "algumas reservas" em relação à que foi construída na Almirante Reis, uma das principais avenidas da cidade.

"A população maioritariamente está contra e [a ciclovia] levanta alguns problemas em termos de segurança", avalia Sofia Afonso Ferreira, propondo rotas alternativas.

O Nós, Cidadãos! é recebido com votos de boa sorte, já que muita gente conhece os candidatos à junta. "O nosso único interesse [na candidatura] é sermos de cá e vivermos cá", assegura Rui Cordeiro.

Um comerciante originário de Goa, "como António Costa [primeiro-ministro]", promete pôr um folheto na montra.

"É preciso dar a volta a isto", pede outro morador, queixando-se da falta de limpeza. Uns passos à frente e a queixa vira para a falta de estacionamento, que dá dores de cabeça aos pais com filhos nas escolas da avenida.

Os candidatos ouvem sem pressas e encontram eco.

"Não posso conceber que um indivíduo da Damaia ou de Benfica seja aqui candidato quando não sabe o que cá se passa", anui um morador, prometendo espalhar a propaganda nas caixas de correio do seu prédio.

No jardim dos Anjos, está tudo à vista: piso esburacado, garrafas de vidro espalhadas, um par de sapatos esquecido. "Estado lastimoso", comenta Rui Cordeiro, recordando que, "quando era pequeno" subia ali às árvores. "As casas de banho estão abertas, milagre!", ouve-se a outro dos apoiantes.

"Insegurança, limpeza, habitação" são os problemas identificados no contacto com comerciantes e moradores da zona. A título de exemplo, Sofia Ferreira menciona que, nas barbas da junta de freguesia há câmaras de vigilância inutilizadas e um bebedouro público sujo.

"Outro problema é que esta junta é das mais despesistas, com muitos contratos por explicar", assinala. "Como é possível gastar milhões (...) e depois chegámos aos jardins e aos espaços verdes e estarem no estado de abandono e de lixo que se encontram?", questiona.

Concorrem à Câmara de Lisboa Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), João Ferreira (CDU), Bruno Horta Soares (IL), Nuno Graciano (Chega), Beatriz Gomes Dias (BE), Manuela Gonzaga (PAN), Tiago Matos Gomes (Volt), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!), Bruno Fialho (PDR), João Patrocínio (Ergue-te) e Ossanda Liber (movimento Somos Todos Lisboa).

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