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Presidente da Câmara de Matosinhos diz que "maioria absoluta não significa poder absoluto"

Luísa Salgueiro assinalou ainda o início de "um novo capítulo na vida" do município.
Lusa 16 de Outubro de 2021 às 15:09
Presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro
Presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro FOTO: Facebook
A presidente reeleita da Câmara de Matosinhos disse este sábado que a maioria absoluta obtida nas eleições autárquicas não significa "poder absoluto", mas antes obriga ao reforço da proximidade com os matosinhenses e ao diálogo permanente com a oposição.

"Uma maioria absoluta não significa poder absoluto: bem pelo contrário, obriga-me -- obriga-nos -- a manter e a reforçar a relação de proximidade com todos os munícipes e a um exercício permanente de diálogo aberto e franco com os partidos que são oposição, mas que fazem parte do projeto que os matosinhenses definiram para estes quatro anos", afirmou Luísa Salgueiro (PS), no seu discurso de tomada de posse para um segundo mandato.

Perante centenas de pessoas que estiveram na tomada de posse dos órgãos municipais (Assembleia Municipal e Câmara Municipal), que decorreu no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, a autarca foi ovacionada de pé no início e no fim do seu discurso, no qual assinalou o início de "um novo capítulo na vida" do município.

"É neste contexto profundamente democrático que iniciamos este mandato. Temos, é certo, a legitimidade acrescida que o sufrágio do povo deu ao nosso programa, às nossas propostas para estes quatro anos, que procuram responder aos quatro maiores desafios que enfrentamos: a transição estrutural da economia, o combate às alterações climáticas, a habitação acessível e a mobilidade sustentável", lembrou a autarca, que deixou um compromisso.

"Mas temos também o dever democrático de saber incluir as opiniões diversas, de construirmos em conjunto estes quatro anos de Matosinhos. De, no fundo, trabalharmos juntos por Matosinhos, fazendo das divergências pontuais motivo para o reforço da nossa união", apelou Luísa Salgueiro, acrescentando que a maioria absoluta "eleva, ainda mais, o sentimento de responsabilidade e a consciência do dever" que tem "em servir os matosinhenses".

A autarca usou o exemplo da resposta dada pelos municípios no combate à pandemia de covid-19 para defender a regionalização.

Luísa Salgueiro assegurou ainda que o município tem "músculo financeiro" para acompanhar o novo quadro comunitário e os financiamentos disponíveis no Plano de Recuperação e Resiliência, recordando que Matosinhos é, entre todos os municípios do país, aquele "com maior execução de projetos com financiamento comunitários".

A autarca enumerou também os vários investimentos e as obras em curso no concelho, e anunciou a colocação de mais 150 ecopontos e a revisão do Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação, para inclusão de critérios de sustentabilidade ambiental.

A presidente da Câmara de Matosinhos sublinhou que este concelho do distrito do Porto vai continuar a ser "capaz de fomentar a solidariedade intergeracional".

"É assim que continuaremos a desenvolver os nossos projetos para os matosinhenses de maior idade independentemente da sua condição socioeconómica, como a ampliação da bolsa de cuidadores e [a] construção de quatro novos lares. É assim que reforçaremos os cuidados de saúde, dando mais capacidade ao Serviço Nacional de Saúde, com dois novos centros de saúde. É assim que continuaremos a investir na educação, contribuindo para uma escola pública que ofereça a todos a melhor qualidade de ensino", assinalou Luísa Salgueiro.

Quanto à habitação acessível, a autarca recordou que Matosinhos lançou um dos primeiros programas de renda acessível no país.

"São aproximadamente 900 fogos a preços que as pessoas consigam arrendar: 500 por via do mercado privado (254 asseguradas com contrato já assinado), 155 por via municipal e 250 por via da administração central. Mas o fomento da requalificação urbana e do conforto térmico da habitação privada revela-se fundamental. O contrato assinado com o Governo permite obras em 1.000 casas particulares", indicou Luísa Salgueiro.

Quanto à descentralização de competências, a autarca assumiu tratar-se de um "desafio", mas alertou que "não basta fazer igual".

"Teremos de fazer muito melhor. É por isso que nos primeiros seis meses de mandato tenciono assinar um contrato de delegação de competências com o Instituto de Segurança Social de forma a centralizar toda a resposta social na autarquia num modelo integrado entre as políticas sociais, de emprego, de educação e de saúde", revelou Luísa Salgueiro. 

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