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Charles Michel pede 'União de Energia' para combater "míssil energético" russo

Político belga disse que Rússia atacou "coração do sistema económico e social" da Europa.
Lusa 30 de Setembro de 2022 às 22:49
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu FOTO: Getty
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, defendeu esta sexta-feira o desenvolvimento de uma nova 'União de Energia' para combater o "míssil energético" que a Rússia lançou contra o "coração" do sistema económico e social da Europa.

"A Rússia está a disparar mísseis contra os ucranianos e lançou um 'míssil energético' contra a Europa, visando o coração do nosso sistema económico e social", referiu Charles Michel, numa mensagem de vídeo divulgada após o anúncio do Presidente russo, Vladimir Putin, da anexação de quatro regiões ucranianas.

O político belga admitiu que "o dano é grave", pois "a energia é cara" e "todos os lares na Europa são afetados pelo aumento das contas de energia e das receitas dos supermercados".

"E isso", acrescentou o presidente do Conselho Europeu, terá "um impacto duradouro em todos".

Charles Michel defendeu, assim, o desenvolvimento "de uma nova União de Energia, com uma verdadeira estratégia comum".

"Não há alternativa, se queremos garantir a segurança do abastecimento, os preços acessíveis e a transição climática", realçou.

"Hoje, todos nós devemos entender que entrámos num novo mundo, no qual muitos dos nossos pontos de referência foram invertidos. Devemos encarar essa situação com clareza", acrescentou.

Para Charles Michel, da mesma forma que a Rússia decidiu promover uma mobilização em grande escala para aumentar dez vezes o seu esforço de guerra, os europeus também se devem mobilizar, não para a guerra, mas para preservar a paz e proteger a segurança e garantir o futuro das próximas gerações.

"Cidadãos, empresas, dirigentes políticos e sociais: todos nós, todos temos uma responsabilidade a assumir, um papel a desempenhar", exortou Michel, que também rejeitou "inequivocamente" as anexações "ilegais" de regiões ucranianas pela Rússia.

"Mais uma vez, o Kremlin atropela a Carta da ONU e a ordem internacional", denunciou o presidente do Conselho Europeu.

Michel frisou ainda que a anexação ocorre após falsos referendos e constitui uma escalada perigosa e irresponsável, por ser "concebida como um passo para intensificar a ameaça nuclear contra o resto do mundo".

Putin assinou esta sexta-feira, em Moscovo, os tratados de anexação das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, apesar da condenação internacional e da Ucrânia.

As quatro regiões representam cerca de 15% do território da Ucrânia, ou cerca de 100.000 quilómetros quadrados, um pouco mais do que a dimensão de países como a Hungria e Portugal ou um pouco menos do que a Bulgária, segundo a agência espanhola Efe.

A assinatura da anexação das quatro regiões do leste e sul Ucrânia, que a Rússia controla apenas parcialmente, seguiu-se a um discurso de Putin, que defendeu a "decisão inequívoca" dos cidadãos daqueles territórios, manifestada em referendo não reconhecidos por Kiev nem pela comunidade internacional.

Putin também apelou à Ucrânia para cessar imediatamente os ataques e comprometeu-se a defender o território russo com todos os meios.

O líder russo deu este passo após ter reconhecido a independência de Zaporijia e Kherson na quinta-feira, como fez, em 21 de fevereiro deste ano, com as autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, no Donbass (leste), três dias antes de ordenar a invasão da Ucrânia.

A Rússia já tinha anexado a península ucraniana da Crimeia, em março de 2014, também após um referendo realizado sob ocupação militar.

A Ucrânia e quase toda a comunidade internacional já anunciaram que não irão reconhecer a anexação.

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