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Hungria diz que embargo ao petróleo russo é "muito improvável" a curto prazo

"As soluções devem preceder as sanções", adverte o chefe de Governo húngaro, numa carta enviada a Charles Michel.
Lusa 24 de Maio de 2022 às 17:34
Viktor Orbán, Primeiro-ministro da Hungria
Viktor Orbán, Primeiro-ministro da Hungria FOTO: Reuters
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que está a bloquear a adoção de um embargo europeu ao petróleo russo, admitiu ser "muito improvável" um acordo nos próximos dias, numa carta ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Na carta datada de segunda-feira, o líder húngaro acrescenta que seria "contraproducente" discutir um sexto pacote de sanções durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 27, agendada para 30 e 31 de maio, alegando "falta de consenso".

"As soluções devem preceder as sanções", adverte o chefe de Governo húngaro, na carta enviada a Charles Michel.

"Estou convencido de que discutir o pacote de sanções, a nível de liderança, na ausência de um consenso seria contraproducente. Apenas sublinharia as nossas divisões internas sem oferecer uma hipótese realista de resolver as diferenças", explica Viktor Orban, propondo "não analisar esta questão" no Conselho Europeu.

"Manter a unidade da União Europeia deve continuar a ser a nossa prioridade", conclui o primeiro-ministro húngaro, lembrando que o embargo petrolífero proposto "causaria imediatamente graves interrupções de abastecimento na Hungria" e elevaria os preços "em cerca de 55-60%".

Orban salienta que o seu país continua "fortemente dependente das importações de energia russas", mesmo que "a participação da Rússia nas importações de petróleo tenha caído de mais de 90% em 2010 para 64% em 2021".

Da Presidência francesa, contudo, chegam sinais em sentido contrário, com uma declaração que considera que ainda é possível um acordo "nos próximos dias".

"Ainda existe a possibilidade, nos próximos dias, de desbloquear o veto húngaro", disse o Eliseu, em comunicado, lembrando que há "diferentes opções em cima da mesa para sair desse bloqueio".

Por sua vez, o chanceler alemão, Olaf Scholz, admitiu esta terça-feira que o seu país deixe de importar petróleo russo até ao final deste ano e garantiu que na União Europeia existe uma "grande vontade" para avançar nesse caminho, embora existam nações para as quais esse objetivo apresenta mais complicações.

"Para que fique claro: sairemos disto [da importação de petróleo russo] e, no caso de alguns países, levará um pouco mais de tempo. Mas, essencialmente, há uma grande vontade de seguir esse caminho", disse Scholz, durante uma conferência de imprensa realizada em Pretória, depois de ter reunido com o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no âmbito de uma viagem que o chefe de Governo alemão está a fazer a África.

Em relação ao carvão, o chanceler alemão afirmou que o embargo é "administrável", já que existem inúmeros fornecedores disponíveis.

Em relação ao petróleo, Scholz explicou que, embora o seu país ainda tenha de analisar melhor a possibilidade de embargo, para Berlim é "viável" alcançá-lo no período que a UE o está a discutir (final do ano, para a maioria dos países).

Scholz admitiu que o embargo do petróleo apresenta dificuldades adicionais para outras nações, mas mostrou segurança de que a UE conseguirá impor essa sanção.

Sobre o gás, o chanceler alemão foi mais evasivo e defendeu que o seu país tem de "investir em infraestruturas" que permitam, antes de mais, vias alternativas de abastecimento.

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