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Correio da Manhã

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Moscovo ameaça sancionar media ocidentais se YouTube censurar diplomacia russa

Diversos 'sites' e redes sociais bloquearam páginas oficiais russas, após o início da ofensiva na Ucrânia.
Lusa 26 de Maio de 2022 às 15:30
Guerra na Ucrânia
Guerra na Ucrânia FOTO: Reuters
A Rússia ameaçou esta quinta-feira expulsar jornalistas e 'media' ocidentais, nomeadamente norte-americanos, se a plataforma de vídeos YouTube voltar a censurar as conferências de imprensa da porta-voz do Ministério dos Negócios estrangeiros russo, Maria Zakharova.

O aviso foi feito pela própria Zakharova durante uma intervenção no Conselho da Federação Russa.

Diversos 'sites' e redes sociais, incluindo o YouTube, informaram ter bloqueado, após o início da ofensiva de Moscovo na Ucrânia, vários 'media' e páginas oficiais russas, argumentando então que estes estavam sob sanções ou praticavam desinformação.

Moscovo classificou tais atos como "censura" e "russofóbicos".

Maria Zakharova já se tinha queixado que a plataforma de partilha de vídeos YouTube tinha bloqueado algumas das suas regulares conferências de imprensa, nas quais apresenta as posições defendidas pela diplomacia russa.

"Bloquearam algumas das minhas conferências de imprensa. (...) Se voltarem a fazer isso mais uma vez, um jornalista ou um meio de comunicação norte-americano irá para casa", avisou a porta-voz.

Na mesma intervenção, a representante admitiu que a Rússia poderá não se limitar apenas aos 'media' dos Estados Unidos, mencionando o que classificou de posição anti-russa por parte da Polónia, como exemplo de eventuais futuros alvos de sanções.

O parlamento russo aprovou esta semana um projeto de lei que permitirá ao Ministério Público suspender o trabalho de correspondentes em Moscovo, se o país de origem da empresa jornalística tiver discriminado os 'media' russos.

A norma que ainda aguarda a aprovação do Senado russo e a assinatura do Presidente russo, Vladimir Putin, pretende "responder simetricamente a ações hostis em relação aos 'media' russos", segundo as explicações fornecidas pelo Kremlin (Presidência russa).

No âmbito da nova legislação, correspondentes estrangeiros poderão ser detidos por divulgar informações que desacreditem as Forças Armadas russas.

Da mesma forma, um correspondente estrangeiro pode perder a sua credencial no caso de "realizar ações hostis" contra a Rússia.

Uma das primeiras medidas tomadas após o início da invasão russa da Ucrânia por vários países ocidentais foi a proibição de meios de comunicação russos, como o canal Russia Today (RT) ou da agência de notícias Sputnik, nos seus territórios, o que Moscovo denunciou como sendo uma violação grosseira da liberdade de expressão.

Após a aprovação na Rússia no início de março de uma lei que prevê penas de até 15 anos de prisão para quem publicar o que as autoridades podem considerar como "informação falsa", vários meios de comunicação estrangeiros suspenderam a sua atividade informativa em solo russo.

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