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Referendos trarão segurança às regiões anexadas, diz Kremlin

A Ucrânia e a comunidade internacional não reconhecem a validade dos referendos.
Lusa 27 de Setembro de 2022 às 12:35
FOTO: EVGENIA NOVOZHENINA
O Kremlin afirmou que os referendos de anexação que terminam hoje em quatro zonas da Ucrânia controladas por Moscovo terão "consequências profundas" para os territórios, sobretudo no que diz respeito à segurança.

"Nesses territórios, haverá mudanças cruciais dos pontos de vista legal e do direito internacional e todas as respetivas consequências [das medidas tomadas] para garantir a segurança", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

"O nosso sistema legal considerará todas as opções e, claro, os nossos deputados, os nossos órgãos executivos e as nossas equipas jurídicas estão prontos", acrescentou.

Hoje de manhã, o ex-primeiro-ministro e antigo Presidente Dmitry Medvedev levantou a possibilidade de a Rússia aplicar a doutrina de dissuasão nuclear nos territórios.

Tais ataques estarão previstos no caso de um ataque nuclear contra a Rússia ou uma ameaça contra o Estado.

"As forças armadas russas fortalecerão significativamente a defesa de todos os territórios [ucranianos] ligados" à Rússia, disse Medvedev na rede social Telegram.

O reforço desta defesa, segundo Medvedev, passará pelas "possibilidades oferecidas pela mobilização" em curso na Rússia, mas também pelo uso de "todas as armas russas, incluindo as estratégicas e as baseadas em novos princípios".

"A Rússia tem o direito de usar armas atómicas, se necessário, em casos pré-definidos, em estrita conformidade com os princípios da política governamental de dissuasão nuclear", sustentou Medvedev.

Questionado sobre esse ponto, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou que as declarações de Medvedev se referem à "doutrina militar" da Rússia e recomendou a todos "que se lembrem" dos princípios dessa doutrina.

Os referendos sobre a adesão à Federação russa dos territórios ucranianos ocupados de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson terminam hoje, segundo as autoridades pró-russas, e serão objeto de discussão em reunião no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Ucrânia e a comunidade internacional não reconhecem a validade dos referendos.

Em 2014, a Rússia usou o resultado de um referendo realizado sob ocupação militar para legitimar a anexação da península ucraniana da Crimeia, no Mar Negro.

Na semana passada, Putin anunciou a mobilização de 300.000 reservistas, no que foi interpretado como uma resposta à contraofensiva que a Ucrânia lançou recentemente, depois de ter recebido novo armamento ocidental.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) afirmou hoje que funcionários russos admitiram, nos últimos dias, a mobilização de ucranianos para lutar contra as forças da Ucrânia.

"O governador de ocupação russo de Sevastopol, Mikhail Razvozhaev, nomeado pelo governo russo, afirmou em 25 de setembro [domingo] que as autoridades russas mobilizaram cerca de 2.000 homens na Crimeia ocupada e em Sebastopol como parte da mobilização parcial de Putin", disse o instituto.

Nos últimos dias, ainda segundo o ISW, surgiram notícias sobre a proibição da saída de Kherson de homens com menos de 35 anos, a formação de um batalhão de 3.000 voluntários até 10 de outubro em Melitopol e ordens de mobilização em Lugansk.

Desconhece-se o número de baixas civis e militares na guerra na Ucrânia, que a Rússia iniciou em 24 de fevereiro deste ano, mas diversas fontes têm admitido que será da ordem das dezenas de milhares.

A ONU confirmou a morte de cerca de 6.000 civis, mas tem alertado que o balanço será consideravelmente superior.

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