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Associação de consumidores prevê crise económica e colapso de operadores em Cabo Verde

Pandemia de Covid-19 é um dos fatores que leva ao aumento generalizado dos preços dos combustíveis em 60% no último ano.
Lusa 2 de Novembro de 2021 às 15:11
Combustíveis estão a dar menos receita ao Estado
Combustíveis estão a dar menos receita ao Estado FOTO: Cátia Barbosa
A Associação para a Defesa do Consumidor (Adeco) de Cabo Verde previu esta terça-feira uma situação de crise económica e colapso dos operadores económicos por causa do aumento generalizado dos preços dos combustíveis, em 60% no último ano.

"Prevemos que ocorrerá uma situação de crise económica no país", começou por afirmar à agência Lusa a presidente da Adeco, Eva Caldeira Marques, à propósito do aumento generalizado dos combustíveis e de muitos produtos de primeira necessidade em Cabo Verde.

Segundo agência reguladora, de novembro de 2020, então ainda fortemente marcado internacionalmente, em termos económicos, pela pandemia de covid-19, a variação média em Cabo Verde dos preços dos combustíveis "corresponde a um aumento de 60,7% e, relativamente à variação média ao longo do ano em curso, ela corresponde a um acréscimo de 22,4%".

Sublinhando que os consumidores são a parte mais vulnerável nas relações de consumo, a também advogada lembrou que Cabo Verde, com um tecido social frágil, ainda está a sofrer os "feitos avassaladores" da pandemia da covid-19.

"Vamos atravessar momentos muito difíceis", previu a líder associativo, para quem, com o aumento do preço dos combustíveis, já estava a antecipar um "efeito bola de neve", em que tudo aumentaria de custo no país.

Por isso, disse que é de se prever um "colapso" dos operadores económicos cabo-verdianos e alguma recuperação económica no imediato apenas no turismo, setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago.

"Nós não estamos a prever onde é que com o aumento dos fatores de produção veremos tão rapidamente uma recuperação económica em Cabo Verde", continuou Eva Marques à Lusa, notando que os consumidores sofrem com as oscilações do mercado, que não é regulado de forma rígida.

E da parte dos reguladores, disse que a Adeco espera "sensibilidade" em relação aos preços dos bens essenciais, tendo sido esse um dos pedidos que Eva Marques fez ao presidente da ARME, Isaías Barreto da Rosa, numa reunião na semana passada, na cidade da Praia.

Com o aumento dos combustíveis, os condutores que fazem os percursos de hiace na ilha de Santiago aumentaram unilateralmente os preços das viagens, em valores que podem chegar a 25%.

Nestes casos em concreto, a presidente disse que é uma violação à lei e que o passageiro deve reclamar imediatamente na Adeco, na Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) ou mesmo na Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE).

"Há que iniciar uma cultura em Cabo Verde de reclamação formal. Não podemos só consolar-nos e não reclamar formalmente para que haja consequências", desafiou Eva Marques, presidente da Adeco desde agosto último, informando que a direção vai reunir brevemente para tomar uma posição sobre o aumento dos preços em Cabo Verde.

Desde 01 de outubro está em vigor nova tabela de tarifas de eletricidade, com aumento, superior a 30%, justificando com a subida do preço dos combustíveis no último ano e com os "devidos ajustes decorrentes dos exercícios de indexação anteriores".

Na sequência, o Governo anunciou algumas medidas para mitigar o impacto desse aumento, como a redução do IVA na eletricidade e água de 15% para 8%, aumento da tarifa social de energia passa de 30% para 50% e majoração dos custos de eletricidade e de água para as empresas.

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