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Comidos por crocodilos e engolidos pela lama: O horror dos refugiados de Palma em fuga dos radicais islâmicos

Sobreviventes contam histórias de terror e morte durante a fuga aos terroristas.
Francisco J. Gonçalves 4 de Abril de 2021 às 09:27
Sobreviventes do ataque a Palma escaparam com vida mas recordam cenas de horror durante a fuga aos jihadistas
Sobreviventes do ataque a Palma escaparam com vida mas recordam cenas de horror durante a fuga aos jihadistas FOTO: Reuters
À medida que cresce o número de refugiados em fuga de Palma, onde o ataque de jihadistas de 24 de março deixou dezenas de mortos, multiplicam-se as descrições dos horrores. Alguns sobreviventes contam que houve pessoas comidas por crocodilos e outras engolidas pela lama.

"Eu corria para salvar a vida e eles apareciam de todas as ruas", contou à Reuters Luísa José, 52 anos, mãe de cinco filhos, uma de quase dez mil pessoas que fugiram para Pemba.

Fato Abdula Ali, de 29 anos, perdeu-se do marido e dos três filhos no meio do caos. Grávida 9 meses, não conseguiu acompanhar o grupo em que fugia e deu à luz sozinha, no mato.

Outros questionam o islamismo dos radicais. A zona costeira de Cabo Delgado é de maioria muçulmana e todos repudiam os terroristas. "Se fossem do Islão, não podiam queimar mesquitas, nem degolar as pessoas como cabritos", afirmou Issufo Mussá, à Agência Lusa.

Os ataques de jihadistas na província de Cabo Delgado já fizeram mais de 700 mil deslocados e dois mil mortos desde 2017, mas o presidente Filipe Nyusi recusa pedir apoio militar externo.

Além do custo humano, a rebelião está a ter impacto económico. Ontem, a francesa Total retirou o resto do pessoal do projeto de gás de Afungi, junto de Palma, para onde fugiram cerca de 23 mil pessoas. Foram em busca de segurança, pois a zona está protegida por militares que tentam retomar o controlo de Palma.
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