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Comité de Proteção de Jornalistas urge autoridades a respeitarem trabalho da imprensa

"Referência de eleições livres e justas é a capacidade da imprensa poder fazer a cobertura sem assédio ou violência", afirma Angela Quintal.
Lusa 18 de Agosto de 2022 às 15:13
Jornalista
Jornalista FOTO: Getty Images
O Comité de Proteção de Jornalistas (CPJ) instou esta quinta-feira as autoridades angolanas a garantir o livre exercício do trabalho dos jornalistas, após a detenção por três horas do correspondente da Voz da América no país africano.

Numa declaração relacionada com a detenção na quarta-feira, em Luanda, do jornalista angolano Coque Mukuta, a coordenadora do programa África da organização não-governamental, Angela Quintal, considerou que "a referência de eleições livres e justas é a capacidade da imprensa poder fazer a cobertura sem assédio ou violência".

"Deter jornalistas e tentar controlar como e sobre o que eles relatam é a forma certa de inviabilizar isso", acrescenta Angela Quintal, num comunicado.

"A uma semana das eleições em Angola, as autoridades devem garantir que a imprensa possa informar livremente sem correr o risco de polícias excessivamente zelosos tentarem censurar o que o público pode ouvir e ver através da comunicação social", refere a dirigente do CPJ.

A nota do CPJ destaca a detenção por três horas de Coque Mukuta quando estava a trabalhar em Luanda para cobrir um protesto contra alegadas irregularidades eleitorais.

"Os manifestantes foram impedidos de marchar para a sede da Comissão Nacional Eleitoral depois da intervenção da polícia e deteve pelo menos 15 pessoas, de acordo com as notícias", lê-se no comunicado do CPJ.

Na sequência do incidente, e em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido, condenou a detenção do repórter e questionou a atuação da polícia.

"Nada justifica que tenha sido interpelado nem retido durante três horas, não há nenhum recolher obrigatório, o jornalista encontrava-se num espaço público e a cobrir um acontecimento público", destacou o dirigente do SJA.

Teixeira Cândido adiantou que o sindicato já abordou os responsáveis da polícia, que terão justificado que se tratou de um equívoco.

"No caso do Coque, não havia sequer uma manifestação como tal, as pessoas estavam ainda a chegar", frisou.

O secretário-geral do SJA sublinhou ainda que estas situações são recorrentes e "incompreensíveis" na medida em que o sindicato já conversou com as autoridades policiais no sentido de estabelecer um princípio de respeito mútuo pelo trabalho de cada um.

A marcha convocada pela sociedade civil, que deveria sair do cemitério de Santa Ana até à Comissão Nacional Eleitoral para a entrega de um manifesto, não chegou a realizar-se devido à intervenção da polícia.

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