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Empresa Caminhos-de-Ferro de Luanda preocupada com crescente vandalização dos comboios

Empresa pede uma "intervenção categórica das autoridades e uma definitiva consciencialização cidadã dos utentes da ferrovia".
Lusa 7 de Outubro de 2021 às 14:35
Caminho de ferro
Caminho de ferro
A empresa Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL) manifestou esta quinta-feira preocupação com a "inquietante e crescente" vandalização dos comboios, com o seu apedrejamento, o que põe em causa a iniciativa da empresa de colocação de novas composições a circular.

Numa nota à comunicação social, o CFL pede uma "intervenção categórica das autoridades e uma definitiva consciencialização cidadã dos utentes da ferrovia".

O CFL refere que os atos de vandalismo e agressão, que afetam o exterior e o interior das carruagens e locomotivas, que diariamente transportam em média três mil passageiros entre o centro da cidade e as várias localidades ao longo do corredor ferroviário de Viana, se intensificaram, sobretudo desde o mês de agosto.

"Um inegável e valioso serviço público, socialmente relevante, é posto em causa por esta vandalização crescente dos meios circulantes, de formas incompreensíveis e irresponsáveis, como o apedrejamento dos comboios em movimento, no que tem resultado inúmeros vidros partidos, e que tem como consequências a imobilização das carruagens e locomotivas durante vários dias, com prejuízos materiais para a empresa e prejuízos pessoais para os utentes", refere-se na nota.

De acordo com o CFL, as 12 locomotivas do tipo GE-C30-ACI já foram alvo desses atos de banditismo, com um incontável número de vidros partidos, levando à sua paralisação.

As localidades da Boavista, Sambizanga, Cazenga e Viana são as zonas de maior risco, no que se refere à incidência destes atos, sublinha-se na nota, apelando às autoridades urgência numa "intervenção mais contundente das autoridades competentes do Estado".

"Neste contexto e face à crescente onda de vandalização, o CFL expressa a sua apreensão com a entrada em circulação de novas composições, designadas DMU [Unidades Múltiplas Diesel], para o transporte de passageiros, um material mais ligeiro e menos robusto, que corre o risco de ficar rapidamente fora de serviço, caso não haja uma intervenção categórica das autoridades e uma definitiva consciencialização cidadã dos utentes da ferrovia, porque os que esta quinta-feira estão fora, amanhã poderão precisar de estar dentro, a serem transportados pelos Caminhos-de-Ferro de Luanda", frisa-se no documento.

Esta semana, o comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, disse que não vão ser tolerados comportamentos de vandalismo aos bens públicos, símbolos nacionais, que atentem contra a autoridade do Estado, devendo a polícia mobilizar todos os recursos humanos e técnicos para fazer face a isso.

Na quarta-feira, os bispos católicos manifestaram preocupação com o nível crescente e assustador da criminalidade no país, que além das pessoas atinge também bens públicos, com a vandalização de escolas, equipamentos sociais e habitacionais em construção, redes elétricas e de saneamento e de canalização, não escapando as instituições religiosas.

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