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Famílias vendem casas para pagar resgate dos filhos raptados na Nigéria

Nos últimos meses grupos armados têm sequestrado alunos de escolas e universidades no norte do país.
Correio da Manhã 25 de Agosto de 2021 às 19:21
Sete dos 11 filhos de Abubakar Adam e a mulher foram raptados num ataque a uma escola
Sete dos 11 filhos de Abubakar Adam e a mulher foram raptados num ataque a uma escola FOTO: REUTERS/Afolabi Sotunde
Em maio de 2021, um grupo armado raptou estudantes de uma escola islâmica na cidade de Tegina, na Nigéria. Foram levados mais de 130 estudantes. Os familiares das crianças têm vendido as suas posses para poderem pagar o resgate. 

Sete dos 11 filhos de Abubakar Adam foram raptados. Depois de vender o carro, um terreno e esvaziar as suas poupanças, Adam deixou no mato três milhões de nairas, o equivalente a 7 300 dólares, para os raptores. Seguiram-se outras famílias com filhos igualmente raptados. 

Os suspeitos recolheram o dinheiro e raptaram um dos homens que fez a entrega, fazendo chegar mais exigências. No total, passaram-se três meses desde que as crianças foram levadas.

"Estamos em agonia", disse à agência Reuters Abubakar Adam, que acrescentou: "Honestamente, não tenho mais nada".

Nos últimos meses grupos armados têm sequestrado alunos de escolas e universidades no norte Norte da Nigéria. Segundo a Reuters, desde dezembro foram raptados mais de 1000 estudantes.

Os raptores acumularam mais de 18 milhões de dólares em regastes entre junho de 2011 e março de 2020 só no país. A estimativa é avançada pelo SBM Intelligence, uma consultora que conduz diversas pesquisas em geopolítica. 

"É o negócio mais próspero e lucrativo na Nigéria", revelou Bulama Bukarti, analista no Tony Blair Institute for Global Change. Segundo Bukarti, sequestrar tornou-se uma opção tentadora para homens jovens numa altura em que o país atravessa uma crise económica.

Os raptos estão a provocar o aumento da junto do Presidente negeriano. Muhammadu Buhari encorajou as famílias a não pagarem nada aos suspeitos de forma a não os aliciar para mais raptos.

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