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Governo angolano mantém cerca sanitária em Luanda até final deste mês

Medida decretada devido a aumento de número de casos de Covid-19.
Lusa 6 de Agosto de 2021 às 21:14
Verificação de temperatura em ponto de controlo na Costa do Marfim, África
Verificação de temperatura em ponto de controlo na Costa do Marfim, África FOTO: Getty Images
O ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República de Angola disse hoje que a cerca sanitária na província de Luanda vai manter-se até final deste mês.

Francisco Furtado falava na conferência de imprensa de apresentação das novas medidas do Decreto Presidencial sobre a situação de calamidade pública.

Segundo o governante, é sintomático o aumento diário de casos positivos de covid-19 no país, sendo a evolução epidemiológica preocupante em algumas províncias ao longo da fronteira nacional, especialmente na Lunda Norte, Moxico e Cunene.

O dirigente angolano frisou que o movimento das populações nas zonas fronteiriças com os países vizinhos da República Democrática do Congo, Zâmbia e Namíbia, está a potenciar a importação do novo coronavírus.

"E de igual modo os aglomerados de pessoas em mercados, paragens de transportes coletivos e não uso de máscara facial tem propiciado o contágio do vírus SARS-CoV-2 nas comunidades", disse.

Em Luanda regista-se o abrandamento de casos positivos e o aumento de recuperados da doença, no entanto, prosseguiu Francisco Furtado, a recuperação é também acompanhada de um incremento de novos casos, particularmente nas províncias fronteiriças.

"O que levou a que o grupo técnico da comissão multissetorial das várias análises feitas ter concluído que a cerca sanitária da província de Luanda perdurará durante o mês de agosto, visando solucionar determinadas questões, nomeadamente o aumento do processo de vacinação e também o aumento do sistema de controlo das fronteiras e de testagem nas regiões mais afetadas", afirmou.

Por sua vez, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda salientou que a cerca sanitária em Luanda tem contido a transmissão galopante do vírus em todo o território nacional, sendo a capital angolana uma porta de entrada importante, "o que preveniu o colapso do sistema nacional de saúde".

De acordo com Franco Mufinda, apesar do número de casos confirmados estar a diminuir em Luanda há quatro semanas, a tendência da curva epidémica não estável, verificando-se ainda grandes cadeias de transmissão, que mantém a circulação comunitária do vírus.

Com a agravante de que em 76% destes casos foram confirmadas a circulação das variantes sul-africana, inglesa, indiana e brasileira, classificadas pela Organização Mundial de Saúde como de grande preocupação, devido à sua alta transmissibilidade, gravidade e capacidade de afetar pessoas mais jovens.

"Em Angola, a província de Luanda ainda é responsável por mais de 70% dos casos, que ocorrem pelo país, pelo que, ainda é um risco a dispersão de variantes de SARS-CoV-2, que poderiam acelerar a transmissão e provocar o agravamento da situação em províncias que atualmente têm baixa transmissão", frisou.

Relativamente às províncias do sul e leste, Franco Mufinda afirmou que se assiste a um aumento de casos, o que poderá causar em Luanda um aumento acelerado de casos de alta magnitude, devido à sua densidade populacional, "com consequências imprevisíveis sobre o sistema nacional de saúde e a economia do país".

Franco Mufinda sublinhou que a vacinação é a estratégia mais eficaz para prevenir a doença e normalizar as atividades económicas e sociais, mas para isso é necessário que se atinja uma cobertura entre 60% e 70% da população, para garantir a chamada imunidade de grupo.

"Apesar de desafiante o processo de aquisição de vacinas, o Governo angolano está a fazer de tudo para mobilizar nos próximos dias e meses quantidades de vacinas suficientes e de qualidade, para cobrir as províncias de grupo de maior risco em que Luanda não é exceção e assim termos uma ferramenta importante para cortar as cadeias de transmissão, evitando casos graves e mortes, preservando os ganhos adquiridos até então", referiu.

O governante angolano disse a gestão da pandemia no país, no contexto africano e mundial, considera-se bem-sucedida, por não haver o registo de colapso do sistema de saúde em algum momento, nem mesmo durante os picos epidémicos que ocorreram nos meses de outubro de 2020 e março deste ano.

"A permanência da cerca sanitária em Luanda, o teste pós-desembarque aéreo e marítimo, a testagem sistemática nas fronteiras terrestres na província de Luanda e a vacinação em massa, prioritária em Luanda e nas províncias de alto risco irão contribuir seguramente para a contenção da pandemia e o levantamento da cerca sanitária a curto prazo", asseverou.

A pandemia de covid-19 fez pelo menos 4.247.424 mortos em todo o mundo, entre mais de 200,1 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente da AFP com base em dados oficiais.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

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